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IH
Para começar, o tema do Ciab 2004
é A Visão do Cliente: como a Febraban
vê o relacionamento entre bancos e o time
de tecnologia dos clientes?
Carlos Eduardo Corrêa
da FONSECA
Pretendemos levar essa discussão
ao Ciab: como é possível melhorar
a relação entre clientes e bancos.
Estamos num cenário de mudanças,
é importante tentar entender a visão
do cliente. Os bancos passam do cenário
de processamento em batch, como era o serviço
de compensação de cheques, para
processamento em tempo real, com janelas de processamento
muito estreitas. Isso com o Sistema de Pagamentos
Brasileiro. Muito da cultura dos próprios
bancos e dos clientes precisa ser modificada.
Todos nós temos passado por dificuldades
operacionais na troca de informações
durante o dia; os clientes precisam se preparar
para a nova realidade. Muito se fala em SPB no
lado dos bancos, mas pouco ouvimos das empresas,
como reagem a esse cenário de processamento
em tempo real. O tempo de transferência
de fundos está caindo para zero; o tempo
para verificar lançamentos está
ficando curto, isso dificulta a operação.
Com isso acho que já dá para começar
o debate.
IH
E qual a sua opinião como representante
do ABN-Amro Real?
FONSECA
São
duas forças que jogam uma contra a outra.
As empresas querem esperar até a última
hora para mandar os pagamentos e para fazer as
aplicações. Mas os bancos, por sua
vez, têm problemas sérios no fim
do dia. Quando bate 18 h, o fechamento do SPB,
o Banco Central fecha e fim. E se tiver coisas
no meio do caminho? A Câmara Interbancária
de Pagamentos fecha às 17h30. São
interesses conflitantes.
IH
Como a área de TI, dentro dos clientes,
entra nessa história?
FONSECA
A
área de TI do cliente deve seguir o interesse
do diretor financeiro, olhar os interesses da
empresa que representa. Mas o melhor seria distribuir
as transações ao longo do dia. Temos
várias iniciativas nesse sentido, mas passam
por um processo muito grande de troca de informações,
é outra realidade. Veja que o SPB começou
com DOCs; começou com R$ 5 milhões
e veio baixando até chegar a R$ 5 mil.
A partir de fevereiro, todos os DOCs passam pelo
SPB. Abaixo de R$ 5 mil, vai numa compensação
especial via CIP. Para o segundo semestre, a cobrança
também vai para o SPB. O que era alguns
pagamentos via SPB está virando a grande
maioria dos pagamentos via SPB. Temos uma realidade
de processamento muito diferente da que tínhamos
há um ano e meio. A interlocução
com o pessoal da área de TI é cada
vez mais importante. Temos de garantir a máxima
segurança, dentro das janelas de tempo
definidas pelo SPB.
IH
Lebas, como vai a pesquisa sobre os clientes
dos bancos?
Dan LEBAS
Nessa
pesquisa, a AT Kearney vai estudar principalmente
os clientes médios, vai avaliar preferências
sobre serviços bancários, canais,
tecnologia. Média é a empresa que
fatura entre R$ 10 milhões e R$ 150 milhões.
Vamos conversar também com o CIO, porque
queremos entender as implicações
da tecnologia na relação entre bancos
e clientes. Dado um problema de negócio,
quais as implicações tecnológicas?
Elas podem ser vastíssimas. A pesquisa
ainda está andando, no Ciab apresentaremos
um painel sobre o tema. Antes de a pesquisa acabar,
posso dizer que a conveniência, a disponibilidade
e a simplicidade de uso dos serviços bancários
são os pontos básicos. Vejo uma
oportunidade também: os bancos podem estabelecer
relacionamentos na cadeia em que essa empresa
média trabalha: fornecedores, clientes,
logística. Essa oportunidade tem a ver
com tecnologia. E essas cadeias devem começar
a ser controladas por radiofreqüência.
Empresas como o Wal-Mart, quando falam eu
quero isso, fazem o mercado se movimentar.
A radiofreqüência permite enxergar
a cadeia como um todo, ter uma visão de
ecossistema. Isso cria uma oportunidade para os
bancos.
Sérgio BUENO
Eu
queria fazer dois comentários. Nós
temos dois tipos de clientes no BankBoston: o
cliente interno e o cliente corporativo externo.
Estamos passando por muitas mudanças para
atendê-los melhor. O banco precisa ser ágil,
tentar se antecipar aos clientes com novas soluções,
novas tecnologias. O perfil do cliente brasileiro
é muito interessante. Estamos no Terceiro
Mundo, mas o cliente brasileiro exige um altíssimo
padrão de qualidade e de tecnologia. E
nós de TI precisamos correr para atendê-lo
com o menor custo possível, porque o cliente
interno quer dar a melhor solução
ao cliente externo, mas sem sair do orçamento.
Nas reuniões com clientes, a TI está
sendo chamada cada vez mais, para dar suporte
ao cliente. Os gerentes e diretores de canais
dos bancos, nos últimos 12 meses, têm
dormido muito pouco, porque precisamos trabalhar
com muita rapidez para atender os clientes.
IH
Maurício, já que o Banco
Santos está mudando de perfil, vocês
fazem pesquisas sistemáticas para saber
o que os clientes pedem?
Maurício GHETLER
O
Banco Santos tem tradição com empresas
médias, trabalhamos com 20 clientes no
máximo por gerente. É uma meta da
instituição ser um banco de relacionamento,
e a TI ajuda bastante. Vou dar uns exemplos. Temos
feito uma grande otimização no controle
de pagamentos e de cobranças, de pagamentos
de tributos de concessionárias. Começamos
no ano passado a distribuir mecanismos de informação
a CFOs em tempo real. Foi um trabalho longo; por
web services, o CFO fica sabendo de oportunidades
de investimento. Aumentou o número de clientes
do nosso XML Banking, que é a ligação
do ERP do cliente com os computadores do banco,
é um canal seguro, ativo, funciona por
mensageria, é como um SPB. Com a ajuda
da Febraban, vamos ter a automação
de contratos, a começar com contratos de
câmbio, usando certificação
digital. Temos novos recursos no Internet banking,
que está cada vez mais seguro; isso é
importante para o mercado corporativo.
IH
Você diria que a maioria das empresas
está pronta para uma interligação
de alta tecnologia ou que a maioria dá
trabalho?
GHETLER
A
maioria dá trabalho. Na maioria dos casos,
os diretores de TI, CEOs e gerentes de TI das
instituições não compreendem
nosso esforço no sentido de dar mais segurança
e dar uma informação mais precisa
na mesa do CFO. É meio difícil se
fazer entender.
IH
Quanto tempo leva?
GHETLER
Quando
leva! Em muitos casos, nem há interesse
em mudar. Às vezes, um office banking ou
um home banking é suficiente, a empresa
nem chegou na era do Internet banking. Nem sempre
há preocupação com a segurança
da informação ou com a informação
em tempo real. É claro, as empresas aqui
presentes pensam de outra forma, ou eu nem estaria
falando assim.
IH
É um bom momento para passar a vez
aos clientes. A Regina pode começar?
REGINA Pistelli
Será
que, nessa questão da sensibilidade, o
cliente tem dinheiro para acompanhar o Banco Santos?
GHETLER
Normalmente, não é
falta de dinheiro.
REGINA
Por que, se os bancos têm
dificuldades, quanto mais as empresas, não
é mesmo?
GHETLER
Vou lhe dar um exemplo. A
empresa não precisa comprar software nenhum
para usar nosso XML Banking. Ou seja, a empresa
pode trabalhar com o mesmo equipamento do ERP.
O Banco Santos faz a integração,
coloca isso em funcionamento. Mesmo assim, é
preciso um trabalho de relacionamento para que
a empresa se interesse. É fogo, querer
não é poder.
FONSECA
Existe
um ponto fundamental aqui, que é a padronização.
Se todos usassem os padrões, esse processo
de aculturação seria muito mais
fácil. Grandes empresas costumam tentar
forçar o banco a usar o padrão delas.
O banco, no afã de atender o cliente, tenta
usar o padrão do cliente. É uma
vantagem, no começo, mas se torna uma desvantagem
ao longo do tempo. Existe um padrão desenvolvido
pela Febraban há bastante tempo. Se todos
usassem o padrão, ficaria mais fácil
atender mais empresas, e mais fácil negociar
com os bancos, daria para mudar rapidamente para
um outro banco. O segredo é a padronização.
GHETLER
A
Febraban tem um grupo específico para padronizar
as mensagens do XML banking. No lado do cliente,
não vemos nenhum a se interessar pelo assunto.
Seria bom se houvesse interesse.
LEBAS
Na verdade, a TI do cliente
entra de carona. No banco, produto e tecnologia
estão muito ligados; no cliente, a conversa
não flui naturalmente. Antes era mais simples,
porque não havia quase nada de tecnologia
no cliente.
GHETLER
Esse
é um bom momento para seguir padrões,
porque estamos todos migrando para o online. Se
as empresas seguirem os padrões da Febraban,
fica mais simples e efetivo, porque as empresas
em geral têm relacionamento com vários
bancos e os bancos com várias empresas.
José Geraldo
ANTUNES
Do lado dos clientes, a gente
vê o padrão CNAB do Bradesco, do
Itaú, do ABN, etc. E isso para um padrão
que está no mercado há anos. Não
tinha manual da Febraban, tinha manual do banco.
Tem outra coisa: na hora em que os bancos propõem
soluções online, ainda tem problema
no processo transacional do cliente. Cada empresa
está num nível de maturidade. O
CFO vai falar: Meu pessoal de tecnologia
não quer, isso sem perguntar nada
para o pessoal de TI. É verdade. Em fóruns
como este, quem sabe a gente entende onde está
o gargalo. Eu vejo uma tendência: as empresas
não querem mais fazer o que não
é core. Pagar e receber, por exemplo, queremos
transferir para os bancos. Agora, para isso, precisa
ter processo estruturado. A gente faz uma coisa
assim com o BankBoston. Eu quero ficar com o filé
mignon, com a gestão do dinheiro, não
com transações. Ninguém da
indústria quer criar padrão, até
porque só vai somar custo para o nosso
lado. Às vezes, um banco é pioneiro,
vem com um padrão; logo depois aparece
um segundo banco e um segundo padrão, e
assim vai.
Thomas TUPPY
Quando
o relacionamento envolve documentos com padrão
de mercado, DOC, TED, as empresas se adaptam,
até porque é necessidade delas.
Agora, quando a gente propõe um negócio,
como o recente CPP, consignação
em folha, nós vamos ganhar dinheiro, é
um complicador pedir para o cliente se ajustar
a um padrão nosso. É o que complica
nessa relação: naquele momento,
a empresa não quer ter o custo da adaptação.
É uma relação em que o cliente,
especialmente o grande, manda. É complicado
esse negócio de falar num cliente corporativo
padrão; isso é um relacionamento.
IH
Os clientes aqui se sentem com esse poder
de impor padrões?
REGINA
Depende do banco. Eles são
muito diferentes.
ANTUNES
Quando
chega na hora do suporte da TI, muita coisa já
passou, o relacionamento começou bem antes.
Como eu já disse, em 90% dos casos a barreira
não é tecnológica, a tecnologia
é usada como falsa dificuldade.
TUPPY
O próprio executivo
do banco fala: Deixa comigo que a minha
área resolve. É o diferencial
dele, é o que ele oferece.
REGINA
Na verdade, sobra para os
dois lados.
FONSECA
Esse
é o desafio. Se a gente não conseguir
ao menos reduzir o conjunto de variáveis,
com o tempo, esses relacionamentos ficam muito
caros. Em geral, as duas empresas fazem apenas
um cálculo de reciprocidade, em cima do
relacionamento financeiro, e se esquecem do custo
da integração de sistemas. Reduzir
esses custo é dar um passo para o futuro,
porque a redução do custo do financiamento
passa pela redução do custo operacional,
isto é, passa pela simplificação
do processo.
Wellington
BRIGANTE
Há outro ponto importante.
Soluções diferenciadas devem ser
abolidas, só porque entram em conflito
com a padronização? Não,
elas são importantes, indicam um nível
de relacionamento alto entre o cliente e o banco.
Precisamos de uma análise melhor para ver
o que realmente deveria ser tratado como commodity,
que poderia virar padrão.
GHETLER
Acho
que o maior problema é padronizar a troca
de informações. No começo,
todos os bancos querem se diferenciar, querem
ser o primeiro, mas aí vem a conta e a
conta precisa ser repassada. A Febraban e a CNAB
trabalham diretamente nesse problema.
LEBAS
Você acha que dá
para se diferenciar, mas com um núcleo-padrão?
GHETLER
Acho
que sim.
TUPPY
Os bancos já têm
o padrão, o que precisa desmontar é
o monte de coisa diferente que está feita.
Mas não sei se as empresas vão querer
abrir mão disso, porque existem personalizações
mesmo.
GHETLER
Quer
ver outro problema sério? É a diversidade
de canais com que trocamos informações.
Tem sistema de home banking velho, as empresas
não tiram porque o financeiro já
se acostumou, não importa que já
tenha algo melhor. A tarifa fica alta, pois temos
que manter uma dúzia de canais que já
deveriam ter sido desligados. Seria bom se os
clientes fizessem uma onda de modernização
de tecnologia, para simplificar o custo para os
dois.
IH
Uma pergunta para o Brigante: você
tem visto personalização em coisas
de baixo valor agregado para as empresas? É
isso?
BRIGANTE
Sim,
e às vezes há personalização
não por causa de uma solução
diferenciada, mas por questões de tecnologia,
por causa de um protocolo qualquer.
IH
E quanto à Serasa, que está
entre os dois, bancos e clientes?
Tácito Pereira
NOBRE
Na verdade, a Serasa pertence
aos bancos, foi criada pelos bancos para facilitar
o trabalho de gestão de crédito.
Em 1991, os clientes da Serasa eram mais ou menos
500 instituições financeiras. Hoje,
temos quase 60 mil empresas como clientes. Tentamos
agregar valor à informação,
agregar rating, scoring. Como a Serasa foi pioneira
nesses serviços, a formatação
acabou sendo conduzida pela Serasa. Agora, no
recebimento das informações, há
uma variação muito grande de formatos.
O que a gente fez, para enriquecer nossos bancos
de dados, foi acolher qualquer formato e transformá-lo
no que a gente precisa. Sob o ponto de vista do
relacionamento, temos procurado entender o comportamento
e as necessidades de informações
de determinadas cadeias de valor, para prover
soluções em que cada uma dessas
cadeias possa compartilhar informações
entre si. Às vezes, há personalização.
Achamos que a certificação digital
tem uma contribuição muito importante
a dar.
IH
Birman, qual é a queixa, se há
alguma, no relacionamento com os bancos?
Fernando BIRMAN
Reconheço
que a automação bancária
no Brasil é alta. Mas temos nichos a explorar.
Por exemplo, nossa mesa de aplicações
e de câmbio é totalmente manual.
Outra área em que há oportunidade
é a parte de reembolso de despesas pessoais,
reembolsos de cartões de crédito,
isso exige muita transação manual,
muito esforço da organização
para controlar. É uma oportunidade para
os bancos. Acho que há espaço para
os bancos avançarem mais, invadirem nossos
processos. Por exemplo, colaborar nos nossos esforços
de engenharia tributária. Tem também
um outro grupo de processos que no Brasil é
muito crítico, o comércio exterior.
As empresas industriais sofrem bastante, é
um processo muito burocratizado, os bancos podem
dar alguma contribuição. A evolução
foi muito grande, mas dentro das empresas existem
uns nichos em que predominam as planilhas Excel,
a papelada, o trabalho manual. Acho que são
oportunidades para os bancos, de realmente entrar
prestando um serviço.
TUPPY
O que temos visto mais recentemente
é a empresa terceirizar a tesouraria para
o banco. Aí sim os sistemas do banco, mas
com o pessoal do banco, assumem esse negócio.
Ricardo GUERRA
Tanto
num caso assim, quanto nos casos da padronização,
a discussão a ser feita precisa envolver
o pessoal de negócios. Não adianta
o pessoal de TI querer resolver, nem querer padronizar,
se, no momento em que existe uma demanda ou uma
necessidade por parte da empresa, a ordem que
chega na área de sistemas é customiza;
aí, esquece a padronização.
BRIGANTE
Uma
pergunta sobre terceirização de
tesouraria: se o objetivo do banco é entrar
na cadeia de valor da empresa, pegando de clientes
a fornecedores, poderia passar a ser o controller
da empresa, dando até precisão maior
no fluxo de caixa?
TUPPY
O problema é que a
gente nem sempre tem 100% das informações.
Muitas vezes, um boleto é emitido pelo
cliente e a gente só fica sabendo das informações
quando chega o recebimento. Quando temos todas
as informações, dá para fazer
isso. Já temos um serviço com uma
montadora; se o fornecedor quiser antecipar um
pagamento que a montadora vai lhe fazer, ele solicita
isso via Internet, isso vem para o banco, a gente
repassa isso para a montadora e a montadora confirma
essa pendência no contas a pagar. Mas a
gente não tem todo o contas a pagar dela
dentro do banco, até porque ela trabalha
com mais de um banco.
GHETLER
Trabalhamos com várias
operações que sensibilizam o fluxo
de caixa. Mas as grandes corporações,
justamente as que precisam de um serviço
assim, não trabalham com um banco só.
Então, cada um de nós aqui tem só
uma parte do problema.
REGINA
Nós percebemos, dentro
da empresa, um fluxo de papel e de telefonemas
muito grande entre o banco e a empresa, o papel
ainda tem vida. Acho que a certificação
digital, como o Tácito (Nobre) disse, é
um bom caminho a seguir, porque papel é
desconfortável para as duas empresas. É
claro que é utopia imaginar a melhor taxa
na Internet, mas percebo que o relacionamento
pessoal também pode ficar cada vez mais
eletrônico. Então, padroniza tudo
que for possível padronizar e traz um serviço
diferenciado eletrônico, como se fosse um
portal. Todo mundo ganha.
GHETLER
Tivemos uma iniciativa de
colocar os canais de atendimento na Internet,
colocar chat, mas não tivemos muito sucesso,
principalmente porque não existe padronização
dos equipamentos multimídia na outra ponta.
Se tudo fosse resolvido, teríamos só
um canal de atendimento, o micro, a partir dele
eu falaria, digitaria, faria tudo. Ainda não
é a nossa realidade. Ainda vamos passar
muito tempo com o telefone do lado, para confirmar
a operação que fizemos na Internet.
Mas já seria um grande passo se ela fosse
assinada digitalmente e cest fini, porque
o pior é fazer uma operação
na Internet e depois vir o boy com o contrato
para assinar. É o fim da picada.
REGINA
É incrível
a troca de fax entre o banco e a empresa.
GHETLER
Internet deveria ser definitiva,
colocou lá, acabou o processo. No caso
da Febraban, fizemos um trabalho muito grande
nos últimos anos, sensibilizando o Banco
Central. O contrato de câmbio foi aprovado
há duas semanas, é o precedente
mais importante para nós, porque é
um contrato enrolado, com muitos vaivéns.
Acredito que os próximos são os
contratos do dia-a-dia, o contrato de mútuo
vai ser via Internet, vai ser assinado digitalmente
e ponto. O dia-a-dia das empresas vai ser resolvido
em menos tempo.
FONSECA
Certificação
digital é nossa grande meta. Mas o telefone
será necessário para confirmar exceções,
conforme aumentar o número de transações
em tempo real. Você vai ter que falar com
alguém, chegou um cheque de R$ 2 milhões
via SPB, tem que dar uma confirmada. Então,
acho que o negócio vai acabar se resumindo
a Internet banking e confirmações
via telefone. Mesmo com assinaturas digitais.
IH
É a opinião do BankBoston?
BUENO
No BankBoston, estamos fazendo
um trabalho interno muito grande, chamado de business
services, ou seja, uma grande prateleira em que
temos todos os componentes de sistemas. Toda e
qualquer área de produto que precisa desenvolver
um sistema deverá olhar a prateleira e
ver se tem algum componente já desenvolvido.
Com isso, estamos trabalhando duro para ter um
portal só, para o cliente pessoa jurídica
e pessoa física. O cliente terá
sua chave digital, seu certificado; ele entra,
opera o que tiver autorização no
Internet banking pessoa jurídica, opera
também seu Internet banking pessoa física,
na mesma sessão. Para os dois segmentos,
empresas e varejos, ainda temos duas Internets,
duas diretorias, duas tecnologias e muitos sistemas
parecidos entre um segmento e outro. Isso é
padrão: estamos padronizando esse componentes
de negócio para deixar na prateleira. Isso
deve baratear violentamente o custo do desenvolvimento
para o cliente. Nossa intenção é
de ter tudo componentizado até o fim do
ano.
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