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IH
— Para começar: um balanço de 2004, as perspectivas
para 2005, as prioridades da TI.
Regina — Em
2004, investimos muito em saneamento, em tornar
a infra-estrutura mais estável, mais profissional.
Investimos em armazenagem de dados, consolidação
de servidores. Começamos a ajustar o quadro de
pessoal, mudamos a estrutura organizacional da
TI, pois a empresa cresceu muito. Fizemos um trabalho
intenso de governança. Isso para dentro. Para
fora, continuamos a investir no atendimento ao
cliente, dando mais ênfase à facilidade de acesso
ao Fleury e aos resultados de exames; investimos
em quiosques nos shopping centers. Apesar de o
cliente perceber a qualidade do atendimento, é
desagradável ir a um centro de diagnósticos, ele
está sempre sensibilizado, então investimos na
redução do tempo de atendimento E a TI tem papel
importante nesse processo. É um grande projeto,
que chamamos internamente de siga-me: entender
e controlar todos os tempos passados pelo cliente
na empresa. Em 2005, vamos investir na área de
marketing, que o Fleury pouco trabalhou. Então,
o CRM será mais usado em campanhas de marketing,
para a área comercial. Esse é um grande projeto:
vamos trabalhar melhor com o banco de resultados,
pois é como um banco de conhecimento sobre o cliente.
Outro grande projeto, agora para dentro, é substituir
nosso ERP. Até o fim de 2005, o novo ERP deve
estar implementado, com otimização de processos.
Precisamos fazer com que o back office, os sistemas
internos, tenham a mesma qualidade do front office,
os sistemas de atendimento. Temos muitas oportunidades
para que a área de TI preste um serviço melhor
ao cliente interno, com metodologia, novos controles,
prazos. Quanto ao projeto de governança, ele é
contínuo; como resultado, em 2005, vamos aumentar
muito os investimentos na área de TI.
IH
— Vai haver mais investimento em tecnologia?
Regina
— Vai.
Fiz as contas outro dia: investimos 9% da receita
líquida em tecnologia, 3% em treinamento. Em 2005,
estamos falando em 10%, por aí. O investimento
é alto porque a tecnologia das pontas, dos médicos,
também é minha responsabilidade. Contratamos duas
consultorias, sabemos que nossa meta é ir reduzindo
os investimentos para ficar perto dos bancos,
uns 7%. Mas medicina diagnóstica é assim, a tecnologia
é complexa e muito ligada ao negócio.
Nobre — A
missão da Serasa é prover informações para apoiar
decisões de crédito e de negócios — significa
obter informações de muitos pontos, depurá-las,
armazená-las em bancos de dados e, a partir daí,
disponibilizá-las. Hoje provemos informação com
valor agregado, com tratamento estatístico. Com
a Brasil Telecom fizemos isso, por ocasião da
operadora celular, pois atrás da venda de um celular
há uma questão de crédito. Então, a área de TI
está muito próxima da essência da Serasa — hoje,
são 65 mil clientes, 2,5 milhões de consultas
diárias, muito disso via Internet. Em 2004, investimos
bastante em infra-estrutura. Com a nova sede da
Serasa, criamos um novo datacenter, com um bunker,
um lugar enfiado na terra onde está o cofre da
certificação digital. O novo datacenter nos trouxe
a possibilidade de um segundo CPD, mas nosso desafio
são as 200 conexões ponto a ponto que chegam ao
datacenter, é complexo ter dois CPDs com tantas
conexões. Os dois sites já se replicam de forma
síncrona, mas o desafio agora é trazer as conexões
dos clientes para o outro site, o que é também
um desafio comercial. Vamos investir em serviços
de análise de bancos de dados nos quais o próprio
cliente parametriza os processos estatísticos,
assim ele resolve melhor suas necessidades. Vamos
dar uma cara mais operacional para a área de certificação
digital, nós já conseguimos vencer umas quatro
ou cinco licitações, é um negócio que deve tomar
fôlego em 2005, embora o uso da tecnologia não
seja simples. Vamos continuar a investir em governança,
na metodologia da Itil, em treinamento de gestão
de projetos, vamos dar continuidade aos investimentos
em segurança (já temos três pessoas certificadas
em BS-7799 para o serviço de certificação digital),
vamos fazer um esforço para expandir o uso do
CMM. Vamos rever a rede de interligação das agências,
são 47 agências da Serasa no Brasil, precisamos
de uma rede mais flexível, para usar mais voz
e dados, e de custo mais apropriado. Vamos explorar
as possibilidades de uso de wireless; já temos
aplicativos que permitem consulta via Palm e via
celular.
Mazzariol — No
Metrô de São Paulo, transportamos 2,3 milhões
de pessoas por dia, é um número bem alto, temos
que manter a empresa bem afinada, já que qualquer
anomalia traz prejuízo para a cidade. Onde entra
a TI? Temos dois tipos de uso da TI no Metrô.
Uma é a informática embarcada, de longo prazo,
os sistemas que fazem o controle de movimentação
dos trens. A outra muda constantemente, para a
melhoria dos processos, da produtividade, dos
custos. Somos cobrados diariamente para melhorar
processos, porque os custos são crescentes, mas
é difícil repassar custos para o usuário, a tarifa
é controlada. Temos alguns índices de qualidade
que precisamos preservar, mesmo com tarifa constante
e custos crescentes, como limpeza, segurança,
confiabilidade. Então, a gente vive nesse mundo
de investir em tecnologia mas, ao mesmo tempo,
manter os custos sob rígido controle. O governo
do Estado considera o Metrô uma empresa com autonomia
financeira, os investimentos estaduais são de
longo prazo e aplicados em expansões, então o
nosso problema é custeio, com controle rígido
e receitas próprias. A área de informática entra
com a viabilização de controles cada vez mais
efetivos. Não podemos errar, por exemplo, no processo
de limpeza — gastamos milhões de reais na limpeza
das estações. O processo de gestão deve ser independente
das pessoas, dos supervisores mais bonzinhos,
não podemos errar nem por 1%, porque é errar em
50 mil reais. Agora é hora de melhorar processos,
para ter resultados melhores. Por exemplo, se
eu paro um trem, cujo custo é de US$ 15 milhões,
para consertar um motor com problema, por que
não também trocar as pastilhas de freio, para
não parar o mesmo trem logo em seguida? Por que
não coordenar todos os projetos? Estamos começando
a investir nisso, em sistemas de controle, em
modernização da área de gestão e de suporte à
operação. Na forma de trabalho, temos investido
em nos manter no nosso core, nosso negócio, e
terceirizar o que não nos interessa. Estamos alugando
equipamentos, passando o desenvolvimento para
fora. Na área de sistemas, combinamos soluções
heterogêneas; por exemplo, usamos software livre
onde ele se mostra mais adequado, e software proprietário
onde ele se mostra mais adequado. Assim, com bom
senso, temos conseguido economias significativas,
uns R$ 4 milhões por ano, que investimos na própria
área de TI. Em linhas gerais: investimos muito
em infra-estrutura em 2004 e vamos investir em
melhoria de processos em 2005.
IH
— Qual é o processo mais essencial do Metrô?
Mazzariol — Temos
os processos essenciais e temos os processos urgentes...
Alguns legados estão numa situação calamitosa,
são urgentes. Mas temos procurado investir muito
na área de manutenção, porque uma manutenção bem
gerida vai nos trazer lucros, como no caso da
parada de trens. Só que precisamos fazer o uso
combinado de materiais, mão-de-obra e recursos
naquela hora, e precisamos saber que a parada
única compensa trocar o freio uma semana antes.
É importantíssima a economia em pequenos detalhes.
Às vezes, para o público, os detalhes parecem
insignificantes, como só usar a plataforma central
e não usar a lateral na hora de pouco movimento;
mas economizamos na energia elétrica da escada
rolante, na manutenção da escada (ela vai se desgastar
menos), na limpeza. Mas só consigo isso usando
a TI, fazendo contas, mostrando o ganho de cada
detalhe. E todas essas economias não podem piorar
a qualidade. Já mexemos bastante em controles
financeiros, vamos fazer muita coisa em cima de
manutenção, gestão de recursos humanos, horas
extras, escalas de trabalho.
Cuoco — O
Itaú é resultado de uma série de fusões dos anos
60, um conjunto grande de aquisições nos anos
70, algumas aquisições nos anos 80 e uma forte
fase de aquisições nos anos 90. A informática
sempre foi fundamental para fundir bancos ou incorporar
empresas, para padronizar processos, derrubar
custos operacionais e fazer a nova empresa passar
a gerar resultados logo. No Itaú, temos um conceito
expandido de TI. Nunca as áreas de TI no Itaú
funcionaram como um birô, elas fazem processos,
sistemas e se responsabilizavam pela operação
dos serviços, como conta-corrente, compensação,
cobrança, fundo de garantia. 60% dos funcionários
respondem a essa área de TI expandida. Temos algumas
áreas de tecnologia independentes para desenvolver
sistemas, por exemplo, a seguradora tem lá seus
analistas, mas a operação é integrada, obedece
a padrões e normas. É um processo de descentralização
da informática. Foi mais traumático no começo;
o desafio é tornar isso agora cada vez mais disseminado.
Uma estrutura mantém sob controle tudo o que é
core, como os bancos de dados, e as áreas especializadas
tocam seus produtos com equipe própria de sistemas.
Regina — É
matricial?
Cuoco
— É matricial, ele responde
à área de negócios e, tecnicamente, se reporta
à área de TI. O banco trabalha muito com colegiados,
comissões, nas quais a TI está presente em todas.
Nos anos 70, a tecnologia definia produtos, dizia
se podia ou não. Esse pseudopoder desapareceu;
o trabalho dos últimos anos tem sido voltar a
tecnologia para o negócio. Nosso objetivo é tecnologia
aplicada, tecnologia que contribua para o bottom
line, e não tecnologia avançada. Esse ano de 2004
foi bem interessante, foi o quarto ano de orçamento
base-zero, que é fazer cada vez melhor, mas com
menos. Não existem mais grandes pulos do gato;
então, é uma soma de milhares de ações, de pequenos
itens, é bastante cansativo. Em 2004, integração
foi o grande trabalho, terminamos de integrar
todos os bancos comprados, só agências menores
ficaram para outra etapa. Continuamos a aumentar
o auto-serviço. Hoje, 85% das transações passíveis
de serem feitas no auto-serviço já estão disponíveis
no auto-serviço. São 3 mil agências, mais mil
e poucos pontos com quiosques e caixas eletrônicos.
Os trabalhos de data warehouse e de CRM estão
cada vez mais importantes. Por exemplo, toda a
parte de crédito está extremamente automatizada,
95% das operações são feitas com score de crédito,
quer dizer, o cliente faz o empréstimo no caixa
eletrônico, sem precisar falar com gerente. Fazemos
isso até para pessoas jurídicas. É um trabalho
que envolve muita modelagem, são sistemas complexos,
mas tem dado eficiência e redução de custo operacional.
Outra parte importante é tecnologia para RH, com
e-learning, por exemplo. No fundo, os bancos têm
menos gente, mas é mais qualificada e precisa
de treinamento muito rápido. Tudo isso dá agilidade
para o banco, mas dá preocupação para a área de
TI, porque toda a carga desses servidores distribuídos
no Brasil inteiro é centralizada, as agências
não funcionam como míni-CPDs, para elas é tudo
caixa-preta.
Regina
— Esse modelo sempre
foi seguido pelo Itaú.
Cuoco
— Já de muitos anos trabalhamos
com o objetivo de manter o trabalho manual no
mínimo necessário. Tanto que menos de 1% das operações
exigem tratamento a posteriori. Outra preocupação
básica de 2004 foi a adaptação à lei Sarbanes-Oxley
e ao acordo Basiléia 2. Riscos operacionais são
um grande desafio para 2005. Mas, cuidado, não
devemos ter uma empresa focada em compliance,
cujos subprodutos sejam serviços financeiros.
Quando a gente vê a publicação do balanço com
30% de retorno, todo o pessoal de TI sabe que
6, 7, 8% daquilo está ligado à eficiência operacional,
ao baixo custo, à produtividade, ao pequeno número
de erros. Temos aproveitado o legado até a última
gota, mas, mesmo assim, continuamos investindo
7% do faturamento bruto em TI. Em novembro de
2004, fizemos uma coisa importante: o primeiro
teste efetivo de disaster recovery, tiramos tudo
da tomada na Avenida do Estado e operamos tudo
em Campinas. Foram 18 meses de planejamento, é
um trabalho de 95% de transpiração, milhares de
rotinas, milhares de procedimentos. Fizemos 41
semitestes ao longo desses meses e finalmente
tudo isso funcionou. Os produtos são ótimos, mas
vêm sempre com um buguezinho (imitando o tom de
voz de um fornecedor a se desculpar) “é a primeira
vez que esse problema acontece no mundo”.
Araújo
— A Brasil Telecom começou
em 1998, com a privatização, e é o resultado da
fusão de dez empresas. Vocês podem imaginar empresas
do governo, que compravam por licitação — a gente
tem todas as tecnologias possíveis e imagináveis.
Começamos a substituir sistemas velhos por novos
em 2001, sistemas de mercado, mais flexíveis;
a palavra-chave é convergência. Por força do processo
de consolidação de empresas do setor no Brasil,
a tecnologia tem gerado rupturas, e toda vez que
ela gera rupturas, ela destrói valor, muda todo
o conceito de como a empresa trabalha. Esse é
o momento pelo qual passa o setor de telecomunicações,
por conta do wireless, por conta da telefonia
IP. A Brasil Telecom, hoje, opera telefonia fixa,
telefonia de longa distância, comunicação de dados,
provedor de internet (concluímos recentemente
a compra do iG); em setembro, lançamos uma empresa
nova, a Brasil Telecom GSM, de telefonia móvel.
Nosso conceito de convergência passa por uma estrutura
interna de TI única; somos uma das poucas no mundo
que conseguiram aplicar esse conceito de plataforma
única de TI para operação fixa e móvel, ou seja,
temos o mesmo CRM, o mesmo cadastro de clientes,
o mesmo faturamento, o mesmo provisionamento,
o mesmo antifraude. Esse aprendizado com muitos
vendedores, várias tecnologias, a gente também
leva ao mercado, nos nossos datacenters; a entrega
dos serviços aos clientes fica por conta da área
de TI. Em 2004, eu destacaria a importância do
data warehouse e do business intelligence, são
fundamentais para a Brasil Telecom GSM. A gente
consegue recuperar o cadastro do cliente, conseguimos
parcelar a compra de um aparelho móvel na conta
da fixa, já estamos oferecendo a possibilidade
de juntar a caixa de voz da fixa e da móvel. Em
2005, os desafios mudam um pouco. Teremos a conta
única — a critério do cliente, claro —, com todos
os serviços, inclusive provedor de Internet. O
CRM será usado com ênfase no auto-serviço, pelas
URAs, pela web, por meio do short message. Um
desafio importante é a Sarbanes-Oxley; precisamos
tomar cuidado, porque o brasileiro não tem essa
cultura dos americanos, que é muito mais by the
book (como manda o figurino).
Cuoco
— Mesmo nos Estados Unidos
o pessoal está caindo na real, está brigando com
a SEC, porque o custo disso é absurdo, e precisa
tomar cuidado para o meio não virar fim.
Araújo
— Temos a mesma preocupação.
Novos serviços estão vindo, como a convergência
fixo-móvel baseada em Wi-Fi. Já temos vários hot
spots na nossa região. A gente acredita que a
convergência de voz com IP, por meio de Wi-Fi,
deve acontecer em 2005 e 2006. Enfim, tem uma
série de serviços através da banda larga; já comemoramos
500 mil clientes de ADSL da Brasil Telecom, e
queremos chegar a 1 milhão em 2005. Com a TI,
com o IP, essa indústria de telecomunicações vai
levar conteúdo ao cliente, na forma de videoconferência,
de vídeo on-demand, filmes para ver no computador.
Estamos fazendo testes com Wi-Max também, teremos
lançamentos em 2005. Segurança, para a gente,
é importante, tem tecnologias que nos permitem
detectar um ataque em potencial a um cliente,
pretendemos oferecer isso fortemente em 2005.
Tudo isso aliado ao velho problema de trabalhar
com custos menores — vamos trabalhar mais com
Linux, com terceirização bem controlada.
Adamczyk
— O principal meio de
relacionamento com o consumidor do Boticário são
as 2.300 lojas da rede de franquias. Em 2004,
fizemos uma grande reestruturação no processo
de logística, descentralizamos um pouco o processo
de distribuição e de atendimento, só que foi uma
descentralização calcada em TI, ou seja, a operação
ficou mais virtual; não foi efetivamente uma descentralização
só de processos físicos de separação e de armazenagem.
Isso tudo muitas vezes por conta da complexidade
tributária do país. Foi um projeto de muito impacto,
porque envolveu as 2.300 lojas. O sistema do ponto-de-venda
precisou ser adaptado, assim como o ERP do Boticário.
Temos oito depósitos, em que tínhamos que fazer
operações de faturamento e de administração da
carteira. A captação dos pedidos também se modificou;
antes os pedidos iam diretamente para a indústria,
hoje vão para os centros de distribuição, que
consolidam os pedidos e mandam para a indústria.
Esse projeto teve muito impacto em toda a nossa
cadeia de valor e nossos sistemas de TI. Outro
projeto importante foi o programa de fidelidade.
A gestão desse programa era feita por um terceiro.
Como não estávamos satisfeitos, fizemos uma internalização
do programa, desenvolvemos sistemas, unificamos
o ponto de contato do consumidor final com o Boticário.
Esse processo parece simples, mas não é. A unificação
das bases de dados terceirizadas com o nosso SAC,
o serviço de atendimento ao cliente, foi bem complexo.
Em 2005, a idéia é identificar hábitos e comportamentos
dos nossos clientes no programa de fidelidade.
Na área de Internet, tínhamos várias iniciativas,
mas elas não estavam padronizadas, nem em termos
de tecnologia nem de identidade de comunicação.
Então, em 2004, compramos tecnologia e começamos
a migrar nossas aplicações todas para essa tecnologia,
que passou a suportar todo o nosso portal corporativo.
Desenvolvemos toda a extranet, que já está em
funcionamento. Queremos transformá-la no principal
canal de comunicação com nossas franquias. Em
2005, vamos focar muito na intranet, remodelar
muito, para gestão do conhecimento, colaboração,
para buscar um nível de competitividade mais adequado.
Investimos muito em infra-estrutura em 2004, já
usamos wireless em praticamente toda a rede do
Boticário, implementamos mecanismos de segurança
também. Começamos um processo que chamamos de
corporatização, porque o Boticário comprou um
shopping center, inaugurou um centro de convenções,
e a área de TI buscou a integração desses negócios,
para compartilhar e otimizar serviços, servidores,
correio eletrônico, help desk. Para 2005, como
já vencemos a integração física, vamos focar nos
aplicativos de negócio, para oferecer serviços
diferenciados. Estamos ainda aprendendo a trabalhar
com várias unidades, porque as pessoas estão vinculadas
a uma estrutura lá, mas a orientação técnica vem
da nossa área de TI. Uma das questões mais relevantes:
no Boticário, estamos buscando uma gestão mais
estratégica, ou seja, com os executivos gastando
mais tempo com o longo prazo e menos tempo com
o dia-a-dia. Essa nova gestão está pautada numa
grande revisão dos processos, conduzida pela área
de tecnologia. Em 2005, o desafio é implementar
os processos novos, e para isso vamos continuar
a instalação do novo ERP, que começou em julho
de 2004. Vamos ampliar bastante o escopo do que
o ERP pode fazer, para eliminar sistemas satélite,
reduzir a complexidade que temos hoje. Os sistemas
satélite dão custo de manutenção muito alto e
complicam a integração da organização. Temos um
projeto de business intelligence paralelo ao ERP
e um projeto de CRM para ser integrado ao ERP.
Vamos tratar desde automação industrial, automação
da pesagem, até relacionamento com o consumidor
e gestão do ciclo de vida do produto. Então, o
Boticário é uma empresa de médio porte, mas tem
a complexidade de uma empresa grande, com as 2.300
lojas. Estamos falando até de novos métodos de
planejamento, com novos métodos matemáticos e
estatísticos. Outra frente importante para 2005
é a gestão do conhecimento do Boticário: precisamos
de um nível mais consistente de inteligência.
Ainda não posso dar detalhes, mas vamos mexer
bastante na proposta de rede para os nossos franqueados.
IH
— Quem paga pelas modificações na rede?
Adamczyk
— Provavelmente, a gente
cobraria pelo serviço, por um pacote de serviços
para o franqueado. Nosso objetivo é ele focar
na venda, na gestão do ponto-de-venda. A gente
ganharia muito em padronização, eficiência de
comunicação; os novos serviços são para que o
franqueado se beneficie na relação com o consumidor
final, por exemplo, explorar informações do grupo
de clientes que freqüentam a loja dele.
Jansen
— O Submarino é uma empresa
de comércio eletrônico, é uma empresa de varejo,
o que a gente faz é vender. A empresa precisa
comprar muito bem, para ter bons produtos a bons
preços e conseguir clientela fiel. É uma empresa
100% virtual, contato é só por Internet ou telefone,
e por isso o Submarino depende muito da logística.
Então, tecnologia é muito importante. A primeira
coisa que a gente faz todo ano, e em 2005 será
igual, é olhar novas funcionalidades. Instalamos
uma média de dez novas funcionalidades a cada
cinco semanas. A segunda coisa, todo ano, é uma
revisão da capacidade de crescer: precisamos revisar
a infra-estrutura, a arquitetura, a capacidade
de atendimento. Em 2005, diferente de 2004, vai
haver um esforço de atualização dos sistemas,
tanto no escritório quanto no atendimento. Fizemos
um investimento em 2004 (não tanto em tecnologia,
mas a tecnologia tem dado suporte) em gestão da
rotina da área operacional, muito focada em métricas
e em planos de ação, queremos ser sistemáticos
nisso, olhar a empresa com balanced scorecard.
A tecnologia dá suporte na visualização de indicadores.
Não sei se acontece em outras empresas, mas uma
tendência do profissional de TI é evitar disciplina,
é difícil fazer o profissional de TI, mesmo o
da produção, olhar métrica toda semana e agir
quando houver diferença. A gente trabalhou muito
isso, um trabalho mais de catequese, que deve
continuar em 2005. O cliente é um tema sempre
importante, em 2005 a gente vai atualizar o CRM.
Já usamos data warehouse e data mining, mas temos
um pulo para dar: queremos resolver qualquer problema
do cliente no primeiro contato, ter uma resposta
mais rápida na ponta, com o atendente. Vamos trabalhar
no ERP, mas para retirar customizações. Até o
final de 2003, nosso trabalho foi centralizar
sistemas, incorporar ao ERP funcionalidades perdidas
pela empresa. Fomos criando soluções pequenas
para problemas específicos. Usamos dez módulos
do ERP da Oracle, que instalamos em 2000. Nosso
plano, que começou em 2004 e segue em 2005, é
extrair módulos muito customizados para colocá-los
em sistemas satélite. Essa customização excessiva
tem engessado as atualizações e tem exigido mais
tempo para a instalação de novas funcionalidades.
IH
— E quanto à logística?
Jansen
— Um esforço recorrente
é a integração com transportadoras. A gente fez
um esforço de integração em 2003, em 2004 melhoramos,
para ter informação mais atualizada da entrega.
A expectativa do cliente vai subindo: no início,
era receber em um dia; agora, é receber em um
dia e saber onde está o pacote dele ao longo do
dia. Mas isso ainda leva um par de anos, porque
o operador de entrega precisa começar a usar mais
wireless. Deve acontecer, porque caiu o preço,
porque wireless dá ao operador a oportunidade
de reduzir custos, então a tendência é essa.
Agune
— Em 2004, fizemos um
evento aparentemente simples, com o apoio da Plano
Editorial (a editora do Informática Hoje), para
levar as demandas de TI do governo do Estado a
todo o setor de TI. Mas, para promover o evento,
que só durou três dias, levamos alguns anos para
organizar internamente a gestão da TI, num trabalho
intenso — no Estado, são mais de 20 secretarias,
90 entidades de governo, cada uma com sua autonomia,
dirigida por partidos políticos, muitas vezes
até com interesses divergentes. Em 1995, para
dar uma idéia, o Estado só tinha telefone e fax
como meios de comunicação. Já em 1998, na reeleição
do governador Mário Covas, conseguimos aprovar
um projeto de governo eletrônico. Em 2003, o governo
de Geraldo Alckmin introduziu um comitê de qualidade
e gestão pública, formado por quatro secretários.
É fundamental o envolvimento do alto dirigente
na transformação da cultura. A média de idade
do nosso servidor público é de 45 anos, são 700
mil servidores na ativa; eles se formaram quando
a tecnologia não existia. Então, é um trabalho
árduo, que estamos fazendo há dez anos. Em cada
secretaria e em cada órgão, temos um grupo setorial,
um comitê de TI, cuja missão é responder à questão:
como usar a tecnologia para melhorar os processos
de trabalho, como aumentar a eficiência, tornar
o Estado mais próximo do cidadão? Juntamos todas
as ações de TI em quatro grandes programas de
governo eletrônico. Um deles é o de infra-estrutura,
interligar 20 mil unidades administrativas espalhadas
pelo Estado. Levamos três ou quatro anos para
convencer todo mundo de que ninguém precisava
ter sua rede, seus sistemas. A etapa seguinte
foi convencê-los de que o Estado não esticaria
fibras ópticas, não montaria redes, mas iria ao
mercado. Assim, construímos a rede Intragov, fizemos
licitação e ganhou a Telefônica. Já temos 5 mil
locais interligados em rede. Outro grande projeto
é o CRC, cadastro de relacionamento com o cidadão,
porque as informações sobre o cidadão estão em
ilhas. Queremos que o cidadão saiba as informações
que temos dele e que elas sejam usadas pelo servidor
público para atender bem o cidadão. Nosso programa
plurianual de investimentos é 2004/2007, previmos
investimentos em TI no valor de R$ 2,1 bilhões.
Também na área de infra-estrutura de TI, o Estado
está tentando transformar os servidores em gestores
públicos, capazes de formular políticas públicas,
até porque o Estado terceiriza cada vez mais aqueles
serviços não-essenciais. Nem os micros nós queremos
mais comprar e manter, essa não é nossa função.
Com as licitações, é muito caro para o governo
manter infra-estrutura. Então, queremos terceirizar
esses mais de 140 mil micros do Estado, com parceiros
que nos ajudem a manter e a ampliar essa rede.
Também estamos usando a TI para ensino a distância,
é fundamental: se a média de idade é de 45 anos,
vamos continuar com os servidores por mais 20,
25 anos. Temos a Rede do Saber, a maior rede de
ensino a distância, pela qual estamos capacitando
os 300 mil professores da Secretaria de Educação
do Estado. Temos fechado parcerias para capacitar
os 2.700 servidores do setor de TI, com apoio
muito grande dos fabricantes, porque os gestores
públicos, ao conhecer melhor as tecnologias, podem
escolher melhor como resolver um problema. Vamos
digitalizar os bancos de dados sobre os 700 mil
servidores, a idéia é ter um cartão, um chipezinho,
com todos os seus dados, com assinatura digital.
A partir de 2005, o pregão eletrônico terá assinatura
digital. A Justiça acabou de fazer a sua licitação
na área de certificação digital; o Governo de
São Paulo está investindo R$ 120 milhões para
a informatização da Justiça, boa parte dos recursos
foi aplicada em 2004, as 303 comarcas da Justiça
estão interligadas hoje na nossa rede Intragov,
brevemente os advogados poderão fazer seus pedidos
de habeas corpus pela Internet, certificação digital
é fundamental nisso tudo. Na área de transações
com a sociedade, o nosso maior exemplo de eficiência
e de qualidade é o Poupa Tempo. Lançamos agora
um novo sítio na Internet, chamado cidadao.sp,
todo cidadão de São Paulo terá um único ponto
de contato, com serviços e informações não organizados
por órgãos públicos, mas organizados por eventos
de vida. São Paulo deu um exemplo em compras eletrônicas
com a BEC, bolsa eletrônica de compras: de janeiro
a novembro de 2004 realizamos 61 mil negócios
via BEC, no valor de R$ 350 milhões. São Paulo
tem 55 mil fornecedores cadastrados. Temos comprado
com uma economia da ordem de 25%, incluindo custos
operacionais e de pessoal. E os próprios fornecedores
nos disseram que têm custo menor ao se relacionar
eletronicamente com o Estado. Embora a gente entenda
que inclusão digital é papel da sociedade, o governo
do Estado já fez 160 infocentros, salas com computadores,
software e ADSL, principalmente para a população
de baixa renda. Nesses infocentros, já temos 6
milhões de acessos à Internet. Todos os nossos
500 projetos estão no nosso sítio, o www.cqgp.sp.gov.br,
assim como os recursos que temos. Quem olhar o
orçamento, verá que a receita do Estado não vai
variar muito; a tendência é diminuir impostos,
e por isso é preciso rever custos e processos.
E rever processos significa usar intensamente
a tecnologia da informação.
Ramos
— Quando começamos a
Gol, em seis meses estabelecemos os sistemas básicos
para a operação, complementamos isso em 2001 e,
em 2003 e 2004, instalamos uma mistura de Oracle
com RM Sistemas, para melhorar a gestão financeira
e a de recursos humanos. O passo seguinte, que
é nosso projeto para 2005, é requintar o uso das
informações. Outro projeto importante é da área
de documentação. É incrível como uma empresa jovem
já tem uma quantidade enorme de documentos a tratar,
organizar, arquivar, recuperar. Mas todo documento
da empresa é tratado digitalmente, o que dá um
ganho de produtividade bem grande. Quanto ao comércio
eletrônico, não tenho os números de cabeça, estamos
com uma média de 73% de vendas via Internet, em
novembro atingimos 81%. Em 2005, deve entrar em
operação um portal de pagamentos, assim o cliente
poderá pagar não só com cartão de crédito ou na
agência de viagens, mas de forma eletrônica em
geral. Fizemos um esforço nas transações online,
nos web serviços: hoje os clientes já podem fazer
o check-in no escritório ou em casa, sair com
o cartão de embarque impresso. Contudo, 65% dos
nossos passageiros são de negócios, vão e voltam,
viajam com bagagem de mão, mas, é estranho, preferem
ficar na fila do aeroporto. Mesmo assim, fazemos
uma grande divulgação disso, e dia 1º de dezembro
lançamos a venda pelo celular e o check-in pelo
celular. É um esforço grande para automatizar,
tornar a empresa mais simples, mais amigável.
Em 2004, começamos um trabalho para melhorar a
governança da empresa e da TI, instituímos um
comitê de segurança da TI, um dos grandes investimentos
do ano foi segurança, criamos o comitê de TI.
No orçamento de 2005, só há projetos aprovados
pelo comitê. Até então, eu me sentia tranqüilo
em fazer tudo sozinho, mas acho que a empresa
já chegou num grau de complexidade que não dá
mais, sem incluir o usuário não dá para ganhar
em refinamento. Fizemos um diagnóstico da maturidade
dos nossos processos, com o Cobit, e começamos
a implementação do Cobit. Em 2005, a prioridade
será governança, Cobit, Sarbanes-Oxley. Um dos
projetos do ano é uma plataforma de EPM ou BPM,
sei lá como estão chamando isso.
Cuoco
— CPM também.
Ramos
— Três ou quatro nomes.
Vamos trabalhar também com automação dos processos
de carga. Carga representa algo como 3% do faturamento,
mas, nos 19% de lucro líquido que devemos dar
em 2004, carga contribui com seu 1,5%. Vamos buscar
maior eficiência no processo de coleta e entrega
de carga, com wireless. Vamos automatizar mais
o processo de tratamento de bagagem. Por último,
em 2005 o e-learning será uma ferramenta do cotidiano
da empresa.
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