:: Sobre o evento   :: Eventos realizados      :: Fale Conosco  :: Anuncie
 
Alimentos: a dieta dos custos.
 
 
Carlos,
da Açúcar Guarani

“Faço um apelo às pessoas de TI: não devemos virar gestor de contratos.”
   
 
Domingos,
da PepsiCo

“Fazer business case na indústria de salgadinhos é complicado, o valor agregado do salgadinho é baixo.”
   
 
Joaquim,
da São Martinho

“É grande a distância entre o que as pessoas fazem e o potencial das ferramentas.”
   
 
Adhemar,
da Perdigão

“Algumas coisas a gente tem que fazer, como essa parte fiscal, mas elas não agregam nada.”
   
 
Rinaldo,
da Rio Norte

“Cada usuário vê só o departamento dele, não vê a importância da informação quando corre na empresa.”
   
 
Márcio,
da Melitta

“É difícil achar o fornecedor que melhor se adapte às características da sua empresa.”
   
 
Wilson,
da Cargill

“O principal desafio é: como mostrar às unidades de negócio onde e como agregamos valor?”
   
 
Luis,
da Coinbra

“Nossa melhor mistura tem sido 60% de ERP de mercado, 40% de sistemas verticais.”
   
 
Rogério,
da Friboi

“Nos preocupamos com a equipe de TI. Alguns dos funcionários novos nunca entraram num frigorífico.”
   
Em primeiro lugar, as empresas do setor de alimentos ficam... longe. Elas vivem de grãos, granjas, frutas, verduras, fazendas. Quando precisam de comunicação de dados, têm de fazer tudo sozinhas, com rádio. Muitas escreveram e mantêm o próprio ERP. Mas, mesmo trabalhando para empresas tão exclusivas, ainda assim o CIO quebra a cabeça para resolver os mesmos enigmas diante de todos os CIOs, de qualquer setor: alinhar a TI ao negócio, treinar usuários, provar o valor da TI (mesmo quando é preciso gastar tanto tempo com a manutenção provocada por alterações nos impostos), aprender a usar informações armazenadas em bancos de dados, calcular direito o quanto gastar com segurança, cooperar com outros CIOs do mesmo ramo. E reduzir custos. E depois reduzir mais.
 

Como resolver os desafios da TI no setor de alimentos? É um setor em que lucrar é bem trabalhoso: a margem é pequena, quando comparada com a de outros setores. E por isso mesmo o setor de alimentos precisa de inovação — como um dos executivos bem disse nesta mesa-redonda, inovação é “propor soluções de valor para a empresa e os clientes da empresa”, mas não é, obrigatoriamente, usar tecnologia de ponta. O debate foi coordenado por Wilson Mohedaui, diretor editorial do Informática Hoje, e por Márcio Simões, editor executivo. Participaram nove executivos de TI: Adhemar Hisashi Hirosawa, da Perdigão; Carlos Alberto R. de Barros, da Guarani; Domingos Sávio Bruno, da PepsiCo; Joaquim Paulo, do Grupo São Martinho; Luis Manuel Ferreira, da Coinbra; Márcio Bechara Poletti, da Melitta; Rinaldo Faria, da Rio Norte; Rogério D’Alcântara Peres, do Grupo Friboi; e Wilson Loesch Jr, da Cargill.

IH — Quais são os principais desafios de TI na indústria de alimentos?

CARLOS — Na Açúcar Guarani, estamos a quase 600 quilômetros de São Paulo, a 30 quilômetros da cidade mais próxima, então dependo de rádio para tudo, voz e dados. A empresa tem limitações com as quais conviver, sem se afastar da tônica geral do mercado, sempre se renovando e inovando. Uma característica muito particular: há anos, a empresa optou por desenvolver e manter o ERP com equipe interna. Colhemos bons frutos dessa escolha, sem desmerecer nenhuma terceirização. Já que a Açúcar Guarani pertence a um grupo francês, o Grupo Tereos, nosso desafio é provar a viabilidade desse modelo, já que a Tereos usa SAP e pretende crescer no Brasil. Temos cinco pontos de presença no país, em Minas, Rio e São Paulo. O trabalho vai bem e dependemos do nosso link de Internet; montamos o link em parceria com o provedor de Internet. O desafio é sustentar nosso modelo diante do crescimento.

DOMINGOS — No Brasil, a Pepsi-Cola é fabricada e distribuída pela AmBev; o mesmo com o Gatorade. Assim, trabalho mais para alimentos da PepsiCo — Elma Chips, Quacker, Coqueiro, Toddy. Entre nossos desafios, está sentar à mesa de negócios e participar das grandes decisões. É fácil dar ao usuário o que ele quer, mas isso é se esquivar do dever. Queremos participar das decisões, mas que esforço fazemos para o negócio entender de TI? Que esforço fazemos para deixar de ser vendedor de upgrades e de linhas de comunicação? Temos, por exemplo, grande força-de-vendas na rua, ela quer um sistema transparente, que funcione sem que precise fazer nada. Mas fazer business case na indústria de salgadinhos é complicado, o valor agregado do salgadinho é baixo. Demorou anos para provar o valor da automação da força-de-vendas, por exemplo, e só conseguimos quando o negócio ficou próximo da gente. Sendo mais específico, o desafio da PepsiCo no Brasil é chegar ao mercado de forma menos custosa. Já fizemos um bom pedaço disso; estamos colocando impressoras nas caminhonetes. E agora, o que faço com as informações de realimentação, para ser mais eficiente na rua? Também tocamos uma revisão de toda a área de supply chain, temos um projeto internacional com a SAP, será um tsunami na nossa vida. Trabalhamos forte com projetos de segurança, é uma demanda da matriz; colocamos medidas de risco na segurança. Temos de pensar em segurança, mas não somos banco — então, até quanto? Chegamos numa equação bacana. Por último, um negócio que me tem feito arrancar os cabelos: como fazer para a equipe deixar de ser tão técnica? Como fazê-los parar de falar de bugs e bancos de dados nas reuniões de negócio? A gente fala tecniquês e se vende mal. Acho que todos devíamos fazer um plano de marketing.

JOAQUIM — O Grupo São Martinho processa 10 milhões de toneladas de cana por ano, em duas usinas. A empresa tinha três grandes unidades, a agrícola, a administrativa e a industrial. Tinha três áreas de informática, e o primeiro desafio foi montar uma área única. Logo em seguida, estudamos custos, o custo de administração estava cada vez maior. Desenvolvemos uma metodologia para avaliar processos de negócio e desenhar novos processos. No fim, buscamos um ERP, escolhemos SAP, começamos a instalação em 1998, foi complicado, mas implantamos até no chão-de-fábrica. Não fazendo abrir e fechar válvulas, mas bem interligado ao nosso Scada (sistema de automação industrial). Naquela época, nem a SAP recomendava isso. Mas depois estendemos para o controle de frota, controle de máquinas industriais e tudo o mais. Os resultados foram tão bons que instalamos SAP numa outra unidade, a Usina Iracema, a 200 quilômetros de distância. Isso significava ter uma única área administrativa na empresa; até 2000, cada unidade tinha um escritório, um jurídico, uma informática. Com os preços das commodities lá embaixo, precisávamos ser mais agressivos com os custos, não dava para repassar. Então o grupo resolveu montar um centro de serviços compartilhados. Hoje, esse CSC tem até um certo faturamento. Essas ferramentas têm um potencial fantástico para as pessoas que fazem gestão. O desafio é fazê-las entender a ferramenta e administrar os processos por meio dela. Elas já fazem gestão, é lógico, mas entre o que fazem e o potencial da ferramenta, a distância é grande.

ADHEMAR — A Perdigão atua em praticamente todos os Estados do Brasil e em outros países; a logística é bem complexa e especializada. Ela começa na compra de grãos, milho e soja, a principal matéria-prima na produção de frangos e suínos. Para colocar um frango na mesa do consumidor, leva uns 500 dias. O planejamento é complexo, porque precisamos imaginar a demanda em dois ou três anos. Como estamos no mercado há 70 anos, na prática essa máquina complexa gira até de forma tranqüila. Quando começamos a instalar o SAP, as empresas de consultoria nem tinham profissionais preparados no Brasil; elas tiveram de treinar profissionais nos Estados Unidos às pressas. Hoje, o mercado está bem maduro. Terminamos o projeto do ERP em 1998, mais ou menos 100 lugares de todas as unidades; na seqüência, estamos adicionando mais aplicativos de negócios. O BI da SAP, por exemplo: porque tem tudo lá dentro, mas tirar informação é complicado. Depois, o CRM, também da SAP. Pusemos o serviço de atendimento ao consumidor no CRM, aumentamos as televendas. Temos mil vendedores no Brasil inteiro. O CRM tem três níveis: o operacional, o analítico e o colaborativo; vamos do operacional para o analítico. Na área financeira, o CRM ajuda a calcular nossa exposição a riscos, porque trabalhamos com vários contratos, em várias moedas. Nosso maior desafio agora é preparar o plano para os próximos dez anos; estamos crescendo a 15% ao ano, então, se tudo correr bem, em dez anos vamos dobrar o faturamento, que hoje está em R$ 5,5 bilhões. Nosso plano está calcado em três pilares. Um deles é reduzir custos. À medida que a empresa cresce, aumenta a preocupação com custos fixos, principalmente despesas administrativas. Por isso, começamos a construir um centro de serviços compartilhados no ano passado; estamos quase terminando a primeira etapa, com a parte financeira, a contábil, a fiscal, a de recursos humanos, a de compras e a de processos de TI. Naturalmente, isso dá um ganho muito grande com a redução de pessoas; quando fomos contabilizar, vimos como fazíamos coisas inúteis dentro da empresa. Por exemplo: os mil vendedores têm computador de mão; apesar disso, passavam o pedido por telefone. A gente não sabia disso. Com o CSC, acabamos com esse escritório, e agora o vendedor não tem escolha. Com o CSC, essas coisas começam a aflorar. Outro pilar, ainda nesse plano de dez anos, é o supply chain. Nossa cadeia é complexa, a margem é pequena e precisamos ganhar no volume. Num projeto de atendimento, trabalhamos com um indicador chamado Otif, on time in full (a quantidade certa, na qualidade certa, na data combinada com o cliente). O problema da empresa é agregar mais valor no serviço, porque a produção está bem. O terceiro pilar é a terceirização, a nosso ver um caminho sem volta.

RINALDO — A Rio Norte vende produtos da Socôco, é responsável por cerca de 40% das vendas da Socôco no Brasil. Nosso maior desafio, nosso e da Socôco, é pegar informações da Socôco e repassar a nossos clientes. Eles são os supermercados, as grandes redes, as pequenas lojas, e todos eles querem trabalhar com menos estoque. A Socôco usa um sistema de gestão de armazéns da Datasul, está trabalhando com um sistema de radiofreqüência em todas as caixas; nossa idéia é pegar essa informação deles e trabalhar junto a nossos clientes. A Rio Norte não tem frota própria, trabalha com transporte alugado, então é difícil ajudar nosso cliente a ter uma área de estoque menor. Nossos clientes dão área cada vez maior para os consumidores e cada vez menor para o estoque. Para isso, eles precisam se organizar, e precisam da ajuda do fornecedor, desde o início da produção. Ele não quer ligar para saber do pedido, ele quer dinamismo. O desafio é falar menos digital e mais analógico, entender mais nossos usuários. E cada usuário vê só o departamento dele, não vê a importância da informação quando corre na empresa. É um trabalho a fazer com nossos clientes, nosso fornecedor, mas é também um trabalho interno. Minha dificuldade é também sentar com o usuário de negócio do meu fornecedor, a Socôco.

IH — Você tem bom acesso à área de TI da Socôco?

RINALDO — Tenho. Eles estão trocando software. Quando estiverem com essa instalação avançada, vamos finalizar esse projeto de ter informação o mais rápido possível. A Socôco já nos fornece informações pela extranet, mas da Rio Norte para os clientes ainda é por telefone. Pretendemos automatizar mais esse processo.

MÁRCIO — Muita gente conhece a Melitta pelo filtro, mas o carro-chefe é o café. É um mercado difícil, com mais ou menos 1.500 empresas e 2 mil marcas, todas têm seu torrefador. Para agregar mais um tempero, a Melitta é uma empresa familiar alemã — mas temos autonomia para operar no Brasil da melhor forma para o negócio. Nestes últimos dois anos, meu papel na Melitta foi fazer a aproximação da área de TI e dos negócios, o descolamento era muito grande. Hoje, a TI participa da diretoria, entra nos projetos na fase de concepção, é muito interessante. É claro que, no nosso mercado, uma questão sempre importante é custos. Então, há um ano e meio, começamos a terceirizar. Com telecomunicações, sem investir nada, conseguimos integrar nossos sites, reduzir custos e atualizar a tecnologia. Bastou achar o parceiro adequado.

IH — É mais terceirização de serviços?

MÁRCIO — As telecomunicações são todas terceirizadas. O mercado está cheio de opções boas para a terceirização de coisas como telecomunicações, impressão e infra-estrutura. Sinto falta de opções para a terceirização de aplicações. Tive dificuldade quando terceirizei o ERP. Outra dificuldade é o grande número de fornecedores e de opções; você olha o portfólio de uma empresa, ela atende todo mundo em todas as direções. É difícil achar a empresa que melhor se adapte às características da sua empresa. Além disso, pelo menos na Melitta, o tempo de acompanhar e instalar uma solução está cada vez menor. Muitas vezes, o fabricante dos aplicativos não tem a mesma flexibilidade; o aplicativo engessa em parte o negócio. Outra coisa que notei nestes dois anos de Melitta: existe informação, de todo tipo, vinda de várias fontes. Mas existem ilhas de informação. Vendas é uma, marketing é outra, controladoria é outra. Todas estão certas, mas nascem de visões distintas. A área de TI está agindo como mediadora, para ajudar a empresa a definir a melhor visão. Até abandonamos um projeto de business intelligence, pois achamos que a cultura ainda não está enraizada. Criamos sistemas para consolidar as informações do ERP com informações de mercado, dá para fazer análises bem sofisticadas. Mais para a frente, devemos pensar de novo numa ferramenta de BI, mas, com a cultura já formada, será mais fácil.

WILSON — Nossos desafios são muito parecidos. A Cargill é global, está em 63 países há 140 anos, há 40 anos no Brasil com várias unidades de negócio, com vários negócios distintos — carne, com a Seara; soja; óleo enlatado, com a Lisa. Temos muitas linhas de produtos, cada uma é unidade de negócios distinta, é trabalhoso trabalhar perto dessas unidades. Temos também funções compartilhadas: RH, a própria TI, jurídico, financeiro, contas a pagar. É bom, porque o ambiente é complexo. Em termos de desafios: estamos numa indústria de margem pequena, o que nos faz vistos como área de custo, em vez de área de agregar valor. Esse é o principal desafio: como mostrar às unidades de negócio onde e como agregamos valor. Isso só acontece capturando valores dos nossos projetos e das nossas implementações. Só assim a área de TI vai se transformar numa área de investimentos. Além de tudo, existe o problema de transformar esses dados todos em informação. Outro ponto é a proteção das informações, a segurança; na Cargill, essa responsabilidade é compartilhada entre informática e controladoria. Isso precisa ser olhado com carinho, para desenvolver ferramentas. A área de TI precisa ser inovadora, não no sentido de novidade tecnológica, mas no de propor soluções de valor para a empresa e os clientes da empresa. Outro desafio são as parcerias. A terceirização vai crescer mais, o que significa, na prática, fechar parcerias com fornecedores em pouco tempo.

LUIS — A Coinbra pertence ao grupo francês Louis Dreyfus; é uma trading, com vários tipos de produtos do agronegócio. Temos soja, açúcar e álcool, citros e uma atuação menor em café e plumas de algodão. A empresa tem crescido nos últimos anos por aquisições e expansões, é um desafio para a TI incorporar novos negócios, uniformizar linguagens. Hoje temos vários ERPs, por exemplo. Agora precisamos padronizar, racionalizar, montar uma estrutura de apoio mais eficiente. Mas, para a TI, o real problema é alinhar a TI aos negócios, antecipar as direções dos negócios. Num setor de margens muito estreitas, de economia de escala, isso sempre significa fazer mais com menos, procurar alternativas criativas e baratas. Esses são os pontos essenciais.

ROGÉRIO — O carro-chefe do grupo Friboi é carne in natura, mas temos também alimentos industrializados, com Anglo, Swift, Bordon, Sola, Carioca. E também temos produtos de higiene e limpeza, com as marcas Albany e Minuano. A principal tarefa da área de TI tem sido acompanhar o crescimento do grupo. Em janeiro de 2004, tinha 12 fábricas e 8 mil funcionários; em dezembro, tinha 22 fábricas e 16 mil funcionários. Com isso, a área de TI saiu de Goiânia e foi para São Paulo. Foi um problema, metade da equipe não quis se mudar, porque Goiânia é uma cidade fantástica; ainda hoje estamos recompondo a equipe. Hoje, temos ERP próprio; por causa da perspectiva de crescimento, avaliamos se vale a pena comprar um pacote. Com o desenvolvimento próprio, estamos constantemente avaliando a qualidade do software, em função da segurança, preocupados com CMM, Cobit, Sarbanes-Oxley. E nos preocupamos com nossa equipe, para que entenda o negócio; alguns dos nossos funcionários novos nunca entraram num frigorífico. Um erro na manutenção de um programa pode interromper a produção na fábrica; determinadas paralisações implicam em 400, 500 pessoas paradas, porque o sistema está inoperante.

IH — Muito do que vocês disseram remete ao legado. Qual é a dimensão desse legado?

DOMINGOS — Tenho uma boa definição de legado: é tudo o que funciona.

CARLOS — Hoje, me perguntam: que ERP vocês usam? Eu respondo: é próprio. E aí me dizem: ah, então vocês não têm ERP. Tenho: é próprio! Não duvido dos benefícios da terceirização, quando bem-feita. Mas faço um apelo às pessoas de TI: não devemos virar gestores de contratos, mas gestores de atendimento das necessidades que a empresa nos coloca, do jeito mais racional possível, seja qual for. E devemos virar bons gestores de pessoas, nada acontece sem uma boa condução das pessoas.

LUIS — Para o setor de trading, com produtos e mercados diferentes, com uma originação de produtos muito complexa, é difícil achar um ERP aderente. Nossa melhor mistura tem sido 60% de ERP de mercado, 40% de sistemas verticais, personalizados.

CARLOS — Na Guarani, temos alguns pacotes de mercado nessa linha, para aplicações periféricas, específicas. Não dá para desenvolver software de legislação trabalhista, de ambulatório. Uma curiosidade: no setor de usinas, constituímos um grupo de usuários que se chama Gatua, Grupo das Áreas de Tecnologia das Usinas de Açúcar e Álcool. Completou um ano em março e já congrega 61 grupos do setor. A troca de informações possibilitou, não vou dizer eliminação, mas redução da necessidade de contratar consultoria. Você manda um e-mail para o nosso fórum e em cinco minutos recebe n respostas. É a substituição da consultoria pelo benchmark.

IH — Que particularidades do mercado brasileiro dão mais trabalho à equipe de TI?

DOMINGOS — Acho que 30% da nossa complexidade tem origem na área fiscal; todo dia temos algo diferente para fazer.

WILSON — Um estudo mostrou que existe alguma mudança numa lei de impostos a cada 28 horas. Nem todas afetam todo mundo, mas alguém tem que olhar.

ADHEMAR — Acho que a TI precisa agregar valor ao negócio, e coisa e tal. Mas existem coisas que a gente tem que fazer, como essa parte fiscal, que não agregam nada. O usuário de negócio olha aquilo como um desperdício.

DOMINGOS — Aí, infelizmente, a justificativa é pelo risco. É triste pedir dinheiro justificando pelo risco.

 
5 subir