IH — Como
se consegue uma boa gestão de aplicativos?
Laércio — Na gestão de aplicativos, temos de encarar cada
desenvolvimento como um grande projeto. No passado, o cliente pedia e nós
desenvolvíamos, sem sistemática. Hoje, o grande desafio é alinhar
as expectativas do cliente com o desenvolvedor. Se não tiver isso, o desenvolvimento
vai custar caro, vamos perder sinergia e o cliente vai ficar insatisfeito, não
importa se falamos de um módulo completo, parte de um módulo ou
um simples programa. Na Totvs, alinhamos as expectativas gradativamente. Perguntamos
ao cliente o que ele quer, e vamos afunilando, até o momento em que o
cliente diz que é aquilo mesmo que ele quer. Só então começamos
a desenvolver.
Francisco — É importante alinhar o produto com a expectativa do
cliente. O mercado global exige requisitos, como CMMI e Six Sigma, para provar
que o software vai trazer melhoria contínua para o negócio. O grande
desafio é como fazer com que a América Latina tenha esse nível
de maturidade para o nosso software ser valorizado lá fora. O governo
precisa ajudar com incentivos para exportação de software. No México
existe um fundo chamado Prosoft: para cada dólar que a empresa põe
na indústria de informática, o governo põe outro dólar.
Vale para treinamento de pessoal, criação de setores de desenvolvimento
global ou para um projeto.
IH — O que é preciso fazer
para alinhar a qualidade da América
Latina com a da Europa e a dos Estados Unidos?
Francisco — Precisamos
de incentivo. O governo tem de diminuir o custo
do Brasil, porque ele é altíssimo. Quando somamos
o custo da CLT com o custo dos impostos, o preço
do homem-hora sobe e deixa nossos serviços
em desvantagem contra os indianos e os mexicanos.
Outro problema é a educação.
A Softek tem associação com quatro
universidades no México. No último
semestre, fazemos uma palestra específica
sobre CMMI e Six Sigma, assim os alunos saem
preparados.
Laércio — O
custo de mão-de-obra é pesado.
Para deixar a empresa de software competitiva,
basta o governo repensar o INSS, pôr um
percentual do INSS sobre o faturamento. A qualificação é um
problema das empresas, mas o governo pode incentivar
o inglês ou outras coisas desde a pré-escola,
assim o investimento em treinamento será menor
no futuro. O Brasil é o único
país em que a lei de software beneficia
o hardware. Ninguém aqui usa o benefício
da lei de software porque o benefício é pequenininho.
Gilmar — A Índia tem maturidade
porque se concentrou nos aplicativos de empresas
americanas, tem um ciclo que começa na
especificação funcional até o
código. O Brasil tem chance de se desenvolver,
caso regulamente melhor a contratação:
o custo da mão-de-obra chega a 80% na
empresa de serviços.
Fábio Barnes — Em
longo prazo, a competição será com a Índia.
Se não houver condições
competitivas para essa indústria no Brasil,
haverá uma evasão. Então
a gente não só vai perder a oportunidade
de competir e gerar emprego no Brasil, como vai
perder empregos.
Laércio — Existe
uma grande diferença
entre Brasil e Índia. No Brasil, 90% da
nossa mão-de-obra é usada em projetos
locais. Não é foco do governo brasileiro
a exportação. Ao contrário
da Índia, que sobrevive da exportação
de software. O programador indiano tem inglês
de berço. As empresas brasileiras que
tentam fazer offshore enfrentam um desafio
enorme.
IH — Que tipo de desafios?
Francisco — Um pólo como São
Paulo deveria formar muito mais profissionais
para o mercado, o que não acontece. Outra
dificuldade é o inglês. Como vamos
produzir software para todo mundo, precisamos
de gente que fale inglês, espanhol, etc.
Formar pessoas do último ano da faculdade é mais
fácil do que pegar um profissional já pronto.
Sempre que treinei pessoas da faculdade, elas
viraram talento. E quando peguei gente de outra
empresa, o aproveitamento foi de 50%, porque é difícil
encaixar na cultura da empresa.
Bruno — Uma das fraquezas
do Brasil é a
formação de mão-de-obra.
Na área técnica, só 13%
das pessoas formadas nas faculdades conseguem
ser admitidas nas empresas.
Laércio — Nossas
empresas levam no mínimo 90 dias para treinar um profissional
para começar a trabalhar.
IH — Além do apoio do governo
e da formação da mão-de-obra,
o que mais é importante na gestão
de aplicativos?
Ricardo — Desenvolvemos
vários tipos
de software. Temos os aplicativos prontos para
vender, os aplicativos sob medida para o cliente,
os aplicativos desenvolvidos para integrar o
legado com outro sistema e os aplicativos desenvolvidos
para complementar um pacote de mercado. Cada
um desses software tem processo, equipe e finalidade
diferentes. Nisso, eu acho fundamental a proximidade
com o cliente. Na base do olho no olho, você consegue
capturar um requisito que suplanta muita disciplina
de modelos, de maturidade, etc.
Fábio Barnes — Pela
percepção
dos CIOs, o dinheiro gasto no gerenciamento do
aplicativo é mal aproveitado, porque ele
continua com problemas. Os grandes usuários
de aplicativos têm tecnologias antigas,
como mainframe. O mainframe é um
sistema com muita informação do
negócio, mas com pouca flexibilidade para
o negócio atual e caro para manter. O
CIO busca uma solução para isso.
Eles têm de entender melhor aplicativo
a aplicativo, qual o valor daquele aplicativo
para o negócio, qual o custo total de
propriedade de cada aplicativo; e decidir o que
fazer.
Italiano — O CIO já apanhou muito
de nós mesmos: não recebeu o que
achou que ia receber, a tecnologia não
era como ele esperava. Agora ele tem medo de
nos contar o que quer. Nós temos de adivinhar.
E ainda temos de lidar com a exigência
de qualidade e de menor preço. Para complicar,
o cliente quer tudo baseado na Internet, mesmo
que não precise. O CIO não sabe
comprar. Se eles se preocupassem tanto com certificações
e com maturidade quanto eles exigem de nós,
eles resolveriam eles próprios muitos
dos problemas de desenvolvimento e de manutenção.
Francisco — Um cliente
nos Estados Unidos nos falou tudo o que era para
ser feito: exigiu CMMI 5, Six Sigma, processos,
melhoria contínua,
redução no custo a cada ano baseada
na produtividade.
Italiano — A proporção de
clientes assim no Brasil é de 99 para
1. O cliente fala: “Se você não
fez, eu não lhe pago”, e nós
perdemos dinheiro com software mal especificado
por culpa do próprio cliente. E a culpa é nossa,
que aceitamos tudo. Se aceitamos o preço
lá embaixo, daí o mercado é nivelado
por baixo.
IH — O nível do cliente
Brasil ou América Latina está tão
distante assim do dos Estados Unidos?
Francisco — Antes
de sair para comprar, o americano conhece o que
quer, tem processo, maturidade. A mesma maturidade
existe na Índia.
O brasileiro tem um mercado cativo aqui. Quando
ele sai para o exterior, aí começa
a ter problema, porque o mercado é muito
mais exigente. Não é que as empresas
estão num nível ruim. Elas têm
apenas que entender que agora o mercado é global.
Fábio Barnes — É uma evolução
do cliente e do fornecedor.
Italiano — Nós temos de ser precursores
do contrato moderno para oferecer algo mais atrativo
ao cliente. Em contrato de terceirização
e manutenção de aplicativo, eu
exijo bônus do cliente. Se for penalizado
por não cumprir a meta, quero saber quanto
vou receber a mais ao superá-la. Os clientes
não aceitam. De novo, é uma prova
de que os clientes não sabem comprar.
Fábio Barnes — Eu
tenho experiência
com contratos com bônus e penalidades.
Se você traz benefício ao cliente,
ele está disposto a pagar. No entanto,
se está abaixo da meta, paga. Mas a penalidade
não pode ser abusiva.
Francisco — O cliente
começou a
usar a penalidade porque tinha muita coisa que
nós não entregávamos. Mas
a penalidade nos Estados Unidos fala assim: te
dou a oportunidade de entregar X; se você melhora,
eu te dou bônus, mas se você piora,
eu tenho de me prevenir. Quando se trata de penalidade,
eu sempre olho o nível de maturidade da
empresa. Se for uma empresa madura, aceito de
olhos fechados. Se for uma empresa desestruturada,
eu não aceito. Clientes e fornecedores
no Brasil têm de aprender que penalidade
não é castigo, é incentivo à produtividade.
Ricardo — Às vezes você faz
tudo direito, entrega o sistema na data certa
para homologação interna... Aí o
cliente fala: agora eu não consigo pagar
o bônus... E vai protelando.
Francisco — No dia
em que o cliente cumprir a ameaça de cobrar multa e cancelar o
contrato do fornecedor que não entrega
o projeto na data, daí o Brasil evoluirá.
Só sobreviverá empresa realmente
efetiva e produtiva.
IH — Como a maturidade do cliente
interfere na gestão do software?
Marcelo — Hoje nós somos como o
clínico geral do mercado de software.
Atuamos com vários produtos e vários
tipos de desenvolvimento. Assim como os médicos
se especializaram — e hoje existem mais
médicos especialistas do que clínicos
gerais —, nós temos de nos especializar,
filtrar o software que desenvolvemos. Também
precisamos dar continuidade à informação.
Quem tem contato com o cliente conhece a expectativa;
porém, a expectativa do cliente não
chega até o grupo que desenvolve o software,
na fábrica.
IH — Como vocês fazem para
conscientizar o pessoal da fábrica?
Marcelo — Nós tentamos fazer isso
seguindo o modelo do CMMI (a fábrica da
Everis é certificada em CMMI 3). De 15
em 15 dias, ou uma vez por semana, um gerente
comercial tem de passar os números e as
impressões dos projetos para a equipe
da fábrica. Quando o programador fica
consciente das expectativas, ele fica mais objetivo
e eu tenho menos problemas.
Fábio Barnes — Por
cultura, o profissional brasileiro interpreta
muito. Ele lê algo,
joga ali seus valores próprios e toma
uma decisão. Diferente do indiano, que
faz exatamente aquilo que está lá.
A ferramenta de controle do processo é importante
para tirar do brasileiro a atitude da interpretação.
Na nossa fábrica, se o programador acha
que deve fazer diferente do que foi especificado,
ele tem a oportunidade de dar suas impressões
para a área de negócio. As ferramentas
ajudam a mudar o requisito e a avisar o cliente
final da possível mudança.
IH — A mudança de última
hora é provocada por uma especificação
ruim?
Fábio Pereira — Esse é um
ponto fundamental: especificar a necessidade
do cliente. Criar sistemas é um processo
estático num mundo dinâmico. Se
o sistema leva um ano para ser desenvolvido,
a legislação, os processos, o mercado,
tudo já mudou. O cliente vive no mundo
dinâmico. Então, ele vai lembrando
de que jeito o software precisa ser conforme
vai interagindo com outras pessoas e outras áreas.
Não é incompetência, mas é porque
ele realmente não tem tempo de pensar
nesse negócio. Se a gente conseguisse
hibernar o usuário para ele refletir nas
coisas de que precisa, teríamos uma especificação
melhor.
Francisco — Um dia
eu estava com um cliente. Íamos
implementar um sistema de gestão. E eu
perguntei: o que você vai ganhar com isso?
Ele respondeu que queria entrar na Bolsa, e lhe
disseram que, se ele implementasse um ERP, ele
seria valorizado. Isso é lenda. Dá para
ter o processo em Excel e sair na Bolsa. Quando
alguém pergunta por que você quer
desenvolver algo?, a resposta do cliente é igual: quero
me modernizar. Agora, então, eu pergunto:
o que você vai ganhar com esse software?
Se não sabe o que vai ganhar, ele não
sabe o que quer.
IH — Não há como
ajudar o cliente a ter uma visão melhor
do que ele precisa?
Italiano — Um certo
cliente meu foi abandonado pela consultoria,
por causa das mudanças
de escopo. Ele achava que deveria sair água
da torneira, mas, quando abrimos a parede, não
tinha canos. É duro descobrir isso quando
o aplicativo está quase pronto. Mas é difícil
ter essa visão antes. Dá para ajudar
o cliente, dá para usar ferramentas e
fazer as perguntas, mas essa ajuda inviabilizaria
a maioria dos projetos. Poucos clientes estão
dispostos a pagar pela ajuda.
Fábio Pereira — Ninguém quer
pagar pela qualidade. CMMI só é bacana
para concorrência pública, porque
significa pontos a mais. Mas os grandes bancos
fogem disso porque significa projeto mais caro.
Fábio Barnes — Quando
eu vou conversar com o cliente, eu digo: olhe
o TCO, não
olhe o meu preço. O CIO tem de entender
qual o valor do aplicativo para o negócio
e aí justificar o investimento. O CMMI, é verdade, é mais
caro. Quando aumenta a qualidade, aumenta o custo.
Mas o CMMI serve também ganhar produtividade,
fazer melhor e mais rápido.
Ricardo — A demanda
de muitos clientes é por
projetos pequenos. A equipe de serviços
está familiarizada com o contexto tecnológico
do cliente e rende mais do que qualquer outra
equipe. Quando o cliente passa para um projeto
grande, ele acha que basta somar o custo médio
por função dos pequenos projetos.
No projeto grande, entram todas as disciplinas
de metodologia e qualidade; e as disciplinas
custam mais. Mas o cliente não aceita.
Ele exige CMMI, mas na hora de desenvolver o
software, é a metodologia dele, o modelo
dele que entra. Então, de que adianta
gastar dinheiro para montar minha metodologia?
Francisco — O
CMMI é uma metodologia
para modernizar meu negócio. Eu uso isso
para ganhar eficiência; não vendo
CMMI para o cliente. O que o cliente busca é a
pergunta que o Fábio fez: o que ganho?
Aí vêm ferramentas como Six Sigma.
Uma vez mostrei ao cliente como o aplicativo
ia deixar a máquina da fábrica
mais produtiva, e quanto custava a máquina
parada por dia para ele. A Alpargatas colocou
no jornal quanto ela perdeu de dinheiro porque
não implementou ERP. É isso que
o cliente está buscando. No dia que os
clientes enxergam o diferencial, o preço
perde importância.
Fábio Barnes — No
mercado brasileiro, a consultoria tem de ter
conhecimento do negócio.
Para falar de requisito com o cliente, tem de
ir alguém que diga: olha, você está esquecendo
disso, você está falando errado
aqui. Senão o produto final sempre vai
ter esse problema.
IH — Os CIOs, de uns tempos para
cá, têm mais afinidade com o negócio
da empresa. Eles são realmente os interlocutores
adequados?
Fábio Barnes — Ele é um bom
facilitador. Até um certo ponto responde
pelo negócio, mas precisamos do usuário
final.
Gilmar — Conhecer
o negócio ajuda
bastante, mas o principal é processo
e maturidade. Sem isso, vai bater com a cara
em algum lugar.
Marco — Na
minha empresa, eu tenho desenvolvido uma metodologia
para atendimento ao cliente, não só de desenvolvimento de software.
Temos colocado pessoas de processos e de negócio
para participar da fase de especificação.
Ricardo — Eu
já passei por situações
de apresentar uma superproposta, um supersistema
para o cliente, de ele gostar e até comentar, puxa,
você percebeu isso; mas daí ele
vira e faz outra rodada de concorrência
para equalizar o conhecimento entre as empresas.
Ele jogou todo nosso diferencial no lixo, para
depois exigir um achatamento dos preços.
Bruno — Paulo
Gaudêncio, um psiquiatra
e palestrante brasileiro, diz que maturidade é a
capacidade de enfrentar sofrimento em curto prazo
para obter benefícios em longo prazo.
Os exemplos dados aqui, do cliente que pensa
no curto prazo e não pensa no TCO, do
cara que tenta fazer um projeto mesmo sabendo
que a equipe não tem tempo, é um
problema de maturidade, do cliente e nossa. A
indústria de tecnologia é muito
nova. Precisamos ter consciência disso
e investir nas ciências que começaram
a aparecer. O CMMI não é nenhuma
bala de prata, mas vai ajudar a melhorar. Outras
coisas terão de ser incorporadas no desenvolvimento
do software para termos o mínimo de maturidade.
E só vamos resolver esse problema quanto
reconhecermos que o assunto software é complexo.
A indústria americana, divergindo das
opiniões dadas aqui, tem muito erro também,
como as pesquisas mostram. O indiano usando CMMI
também tem erro. Na Ci&T, 20% da receita
vem de exportação, e no exterior
muita coisa dá errado também.
Fábio Barnes — O
mercado americano é mais
maduro, mas por algum motivo, o resultado final é parecido
com o do nosso mercado. Onde está o segredo
do sucesso de um projeto? Está só no
processo ou no conhecimento do negócio,
no relacionamento cliente-fornecedor?
Italiano — No
Brasil, ninguém conta
quanto se tem investido nessas melhorias.
Bruno — Na Índia,
consultores independentes fazem benchmark dos
projetos e depois divulgam os resultados consolidados,
o que melhora a indústria como um todo.
Francisco — O
Brasil devia aprender com os Estados Unidos:
ser um demandador de tecnologia, em vez de
ficar esperando. O setor de software tem de
ser valorizado, divulgado em todo fórum
como gerador de produtos de qualidade. A Índia
fez marketing agressivo nos Estados Unidos e
deu certo. Se o software brasileiro só viver
do mercado local, vai morrer.
Fábio Pereira — Nos
próximos
cinco anos, a produção de software
vai vir toda para o Brasil e para a Rússia.
Temos o melhor cenário para desenvolvimento
mundial de tecnologia e uma legislação
que não acompanha essa questão.
Francisco — O mercado
americano realmente está ávido. Mas com o câmbio,
a carga trabalhista, e a falta de acordo comercial
entre Estados Unidos e o Brasil, chega uma hora
que a exportação não dá.
Se tirar essas três coisas, somos mais
competitivos que a Índia.
A Índia tem excelentes técnicos,
você manda uma especificação
e eles te entregam perfeita. O problema é quando
se está falando de ERP, você não
espera mandar e receber, você espera que
o cara entenda qual é o problema do negócio.
IH — O que as empresas brasileiras
devem fazer para melhorar a qualidade?
Laércio — Tem
de partir de quanto o cliente está disposto a investir. Sabendo
o que vai ganhar, quanto está disposto
a investir, a partir daí ele busca o fornecedor
que vai ter condições de fazer
aquilo que ele quer naquele preço. Não
adianta querer mundos e fundos e não querer
investir.
Fábio Barnes — O
processo de venda do nosso lado é ganhar a confiança
do cliente, mostrar a ele que o provedor é capaz
de fazer aquele projeto. Antes mesmo de entender
se eu sou competitivo em preço ou não,
eu preciso entender se a minha empresa tem a
competência de fazer aquele projeto.
IH — A empresa também precisa
se preparar internamente para o que ela precisa.
Isso é uma coisa relevante, não é?
Fábio Barnes — Quanto
mais se investe na fase inicial para entender
o projeto, entender a visão do projeto e desenvolver o requisito,
maior a probabilidade de dar certo. A briga com
o cliente é que ele quer ir direto para
o processo de desenvolvimento. Não pode.
Novamente, eu acho que os provedores têm
que aportar conhecimento de negócio, efetivamente
desenhar a visão do projeto para depois
usar em ferramentas que entram no processo de
desenvolvimento.
Fábio Pereira — 80%
do custo de manutenção de aplicativo acontece
por causa de um requisito mal definido. O custo
de corrigir erros de programa fica abaixo de
1%, é muito pequeno. O custo do erro na
fase de requisitos é alto.
IH — De alguma forma a gente conseguiu
um esboço de como é o cliente
ideal. E o que é, para vocês,
um fornecedor perto do ideal?
Laércio — Temos
de executar o projeto que nós vendemos da melhor maneira possível,
dentro do prazo.
Bruno — Previsibilidade é tudo para
diminuir as taxas de fracasso. Ou seja, um processo
feito com maturidade custa mais caro do que você chamar
quatro ou cinco carinhas e falar: “Sai
fazendo”.
Laércio — Vai custar mais
caro e vai ter um TCO menor.
Bruno — As empresas
que investem em processos, seja o ISO, seja CMMI,
além de implantar áreas-chave
de processos que garantem previsibilidade, todas
elas implantam um mecanismo de aprendizado dentro
da empresa.
Fábio Barnes — Você pode pensar
a certificação como marketing.
Eu tenho de ter para ser qualificado. Mas tem
um lado mais importante: um processo realmente
que funciona dentro da empresa.
Gilmar — Existe
uma metodologia padrão
de desenvolvimento, requisitos e especificação.
Todo mundo tem. Um componente de qualidade é o
processo de maturidade de software.
Fábio Pereira — O
cliente tem ansiedade, tem o requisito no papel
de pão, ele quer
saber já quanto custa esse projeto. Então
vamos educar o cliente. Eu recomendo para educar
um cliente: vá por fases, assim você tem
uma clareza melhor do tamanho do projeto em si.
Conseguimos emplacar o conselho só nos
clientes com os quais já temos um relacionamento.
IH — Todo mundo vai dizer que
vai executar o projeto no preço e no
prazo. O que o cliente deve fazer?
Francisco — Se o cliente
tem um nível
de maturidade baixo, ele realmente está arriscando
a comprar pêra por maçã.
O que eu sugiro é contratar alguém
que o ajude no processo, que saiba fazer um processo
de licitação bem transparente.
Eu participei de duas licitações
nas quais os clientes contrataram outras empresas
para fazer o processo. Foi fantástico,
porque não ganhou o melhor preço.
Eles fizeram questão de licitar por indicação,
por referências. Fazer o processo de seleção é difícil,
então sugiro contratar alguém para
ajudar no processo de seleção.
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