| Para governar bem a TI, o
CIO precisa compreender bem o usuário.
Para compreender bem o usuário, o CIO
precisa da cooperação do próprio
usuário. Mas nem sempre o usuário
coopera. Nesta mesa-redonda, CIOs discutem jeitos
de conseguir a cooperação do usuário
ou de contornar usuários insubmissos.
Dez CIOs participaram desta mesa-redonda, sob a
coordenação de Wilson Moherdaui,
diretor editorial do Informática Hoje, e
de Márcio Simões, diretor de redação:
Antônio Manoel Ribeiro de Almeida, superintendente
de TI da Marquise. Antônio Satoshi Shima,
gerente de organização e sistemas
da Coamo Agroindustrial Cooperativa. Cláudio
Indalécio, diretor de TI da Kraft Foods
Brasil. Glaércio Domingos Schenatto, gerente
de TI da Milenia Agrociências. José Orlando
Andrade Alves, gerente de TI da Rio Doce Manganês.
Marcelo Dantas, gerente de TI do Supermercado Nordestão.
Marco Aurélio Monteiro, gerente de TI da
Zamboni Distribuidora. Marcos Antônio Sganderlla,
gerente de TI da Tramontina Cutelaria. Sandra Camelo
dos Santos, superintendente de TI da Companhia
Hidro-Elétrica do São Francisco (Chesf).
William Scardua, gerente de TI da Unicafé Cia.
de Comércio Exterior.
IH — Como uma estatal alinha a TI aos
negócios?
Sandra — Na prática, a idéia
do alinhamento é difícil. Trabalhamos
na estruturação desse alinhamento
há quatro anos. Havia antes a cultura
de que o problema de TI era da TI. O usuário
dizia: vem cá, me entregue uma solução.
Mas ele não se envolvia, e as soluções
não saíam a contento.
Então trabalhamos para estruturar uma
metodologia de modelagem de processos integrada
ao desenvolvimento de sistemas. Precisávamos
estruturar os processos antes de pensar em soluções
de automação. Trouxemos pessoas
do antigo O&M, que hoje chamamos organização
de sistemas e métodos (OSM), essas pessoas
estruturaram a metodologia e começaram
o trabalho de levantar processos com cada área
de negócios: como o processo é feito,
quais são os detalhes, quais são
os pontos críticos, quais são as
dificuldades a vencer. A partir daí, pensamos
na otimização.
IH — Isso começou na sua gestão?
Sandra — Do zero. Conseguimos montar a
equipe no final de 2003, essa equipe de OSM,
e daí, do zero, a gente em 2004 já tinha
começado a fazer o primeiro trabalho com
base na metodologia. Contratamos o suporte e
a consultoria do CESAR, de Recife.
No desenvolvimento de sistemas, usávamos
o Processo Unificado da Rational (RUP), como
todo mundo. Nosso problema era outro: os requisitos
do sistema tinham de atender os requisitos do
negócio. Fizemos então o trabalho
de modelagem dos processos com a linguagem do
cliente, a linguagem do negócio. A automação
vem depois, é um segundo passo. Contratamos
uma fábrica de software, definimos o Java
como padrão, e as coisas começaram
a melhorar.
Aplicar a metodologia passou a ser norma, antes
de qualquer compra de software. Todas as empresas
estatais têm uma cultura forte de norma,
mas a área de TI era fraca em normas.
Investimos nisso, criamos uma lei interna. Agora,
para tocar um projeto de TI, é obrigatório
usar a metodologia e desenhar, otimizar e validar
o processo. É claro que a metodologia é flexível,
nem sempre vamos usar todos os requisitos, com
todos os detalhes. Geralmente, o novo processo
também vira um norma. Só depois
vamos buscar uma solução de tecnologia.
Isso melhorou muito o nosso trabalho; passamos
a trabalhar também com projetos maiores.
Passados uns dois anos, a própria diretoria
da empresa pedia as coisas de outra forma: eu
estou com um problema no processo de leilão.
Ela já não fala mais do sistema
de leilão, mas do processo de leilão,
que precisamos estudar, modelar, otimizar, validar
e então mudar o sistema.
Por exemplo: na área de meio ambiente,
tínhamos dificuldade para controlar as
licenças ambientais. Então, modelamos
o processo de controle das licenças ambientais
e fizemos um sistema para controlar esse processo.
Por trás disso tudo, tem a gestão
dos projetos. Com base nos documentos do PMI,
treinamos 50 funcionários da área
de TI e estruturamos uma metodologia para integrar
a gestão de projetos com a metodologia
de modelagem de processos. Definimos papéis,
responsabilidades, mostramos que o trabalho de
TI é sempre em conjunto com a área
de negócio.
Também estruturamos os contratos, porque às
vezes dependemos da contratação
de fornecedores, e se os contratos não
funcionam bem, não resolve.
E fizemos melhorias na infra-estrutura, para
que todos vissem o desempenho melhor. É um
investimento na nossa credibilidade. Para melhorar
a governança, precisamos investir em credibilidade:
melhorar o modelo de atendimento, as solicitações,
o modelo de prioridades.
IH — Quantos processos vocês conseguiram
fazer até agora e quantos faltam?
Sandra — Falta uma infinidade. A gente
não tem a idéia de modelar todos
os processos. O que a nossa norma diz é:
eu posso oferecer a metodologia na fase de modelagem
para quem quiser, com o meu pessoal sendo consultor.
Agora, quando for necessário informatizar
o processo, ou comprar um pacote, aí a
modelagem é obrigatória.
Mas, respondendo, no final do ano passado tínhamos
mais ou menos 210 processos, de dimensões
diferentes. Mapeamos a maior parte da área
de meio ambiente. Mapeamos uns 90% da área
de recursos humanos. Na própria área
de TI, mapeamos talvez uns 50%.
Quando modelamos o processo de gestão
de novas obras de transmissão, chegamos
a perceber que a empresa perdia receita por falta
de processos mais estruturados; esse processo
passava por nove superintendências, e cada
uma era dona de um pedaço da informação.
Perdíamos por falta de visão geral
do processo.
Mas nada disso é simples. É difícil
fazer com que a linguagem de negócios
se transforme em linguagem de sistema. No começo,
o pessoal de sistemas queria fazer o levantamento
de novo, porque o primeiro contato com o cliente
não era mais dele. Fomos obrigados a trabalhar
essa passagem.
IH — Alguma coisa
deu errado?
Sandra — O problema maior é lidar
com a quantidade de trabalho. Precisávamos
investir em tudo: infra-estrutura, os sistemas
usados por funcionários, políticas,
segurança, tudo ao mesmo tempo.
Convencer cada pessoa de que tudo isso trará benefício é um
trabalho de articulação, é o
meu trabalho.
José Orlando — Como você treinou
os usuários para melhorar as especificações?
Sandra — Isso depende muito. No caso do
departamento jurídico, por exemplo, nós
tivemos o apoio de uma advogada nova, uma pessoa
com a cabeça aberta para a gestão.
Ela centralizou e fez o papel de articulação
interna de fase do processo. Ela mobilizava os
treinamentos, fazia reuniões para ver.
Enfim, o pessoal passou de fato a usar o sistema
desde o começo, e isso dá resultados
melhores. Mas nem sempre é assim.
Manoel — Isso é importante. Estamos
desenvolvendo um ERP, e na primeira proposta
levamos nomes de gerentes de áreas. Foi
um pânico, mas mostramos que, sem pessoas
seniores, o projeto poderia custar mais, atrasar,
tudo o mais.
Glaércio — É mais fácil
convencer um gestor a mudar um processo do que
convencer um usuário. O usuário
não quer que nada mude. E se ele leva
as informações para o gestor, não
leva da forma correta, e aí demoramos
mais para tomar decisões.
Marco Aurélio — Essa é uma
função importante do RH: dizer
o que é melhor para a organização
como um todo, porque às vezes um ganha, às
vezes o outro perde, e muitas vezes a área
quer sobreviver, quer achar um culpado. Eu mesmo
falo para a minha equipe: gente, vocês
querem se resguardar ou querem transformar essa
empresa numa empresa melhor? Temos de nos arriscar.
Eu já estive em reuniões com uma
pessoa sênior, que tinha poder de decisão
ali na hora, mas ela não quis se comprometer.
Se der errado, ela não quer fazer parte
do que deu errado.
Shima — Estamos falando aqui de credibilidade.
Por exemplo, um sistema de commodities fatura
R$ 1,8 bilhão, às vezes R$ 2 bilhões,
então eu mantenho uma equipe de apoio
para o sistema de commodities, porque invisto
em credibilidade. Leva cinco, seis anos para
conquistar os usuários. No meu caso, todos
os gerentes estão comprometidos — eu
tenho 25 anos de Coamo, 20 anos como CIO —,
há sempre uma negociação,
mas todos se comprometem. Na Coamo, quando aprovamos
o downsizing, cinco anos atrás, na verdade
aprovamos uma reengenharia de processos, porque
eu não quero levar os vícios do
mainframe para a plataforma baixa.
IH — Teve consultoria
externa para isso?
Shima — Não. É tudo interno.
Até o ERP da Coamo é interno, e
tem credibilidade. O grau de satisfação
do usuário é alto; nem o módulo
de RH nós conseguimos terceirizar, porque
houve boicote do próprio RH. Eu cheguei
a gastar quase R$ 400 mil na implementação
desse novo módulo de RH, mas, quando o
pessoal de RH olhava o rol de benefícios
instalados no ERP velho com o rol de benefícios
que as empresas oferecem, boicotava o sistema
que a princípio eles mesmos queriam. Depois
de dois anos, jogamos o sistema novo fora.
Temos 25 sindicatos diferentes, dezenas de acordos
com os sindicatos, então o implementador
do ERP acabou se perdendo.
E entra o lado da tecnologia. Temos abertos uns
30 processos de homologação e de
testes de tecnologias diferentes — GPS,
telefonia IP. O CIO melhora os processos com
uma tecnologia nova, mas depois passa para o
suporte e vê o resultado. A área
de suporte precisa ser muito boa. Tenho seis
pessoas muito boas nessa área. E não
somos nós que damos o OK, é a área
usuária que deve dar resultados. Com esse
processo, somos exemplo de várias tecnologias.
Somos dos primeiros usuários de thin clients
no Brasil, estávamos com 600 thin clients
em 1999. Como estamos no interior, temos que
formar gente para absorver essas tecnologias.
Nossa vantagem é que o turnover é baixo.
As pessoas que começaram o projeto de
downsizing e de reengenharia, cinco anos atrás,
são as mesmas pessoas hoje.
Mas tenho de pensar em coisas novas, como RFID.
Se eu me acomodar, a equipe inteira se acomoda.
Cláudio — Sobre a gestão
de pessoas, todas as áreas da empresa
precisam fazer o papel de RH também. E
o departamento de RH precisa fazer a gestão
das mudanças, um papel muito importante.
Hoje temos os usuários-chave, os donos
do processos — são novos jargões,
novos títulos. A pessoa acaba incorporando
essa responsabilidade, e se não houver
um plano de carreira em cima disso, ela fica
desmotivada, especialmente se o trabalho dela
não estiver sendo medido pelas novas funções.
O plano de carreira deve dizer que 50% do tempo
essa pessoa é coordenador de tesouraria
e 50% do tempo essa pessoa é usuário-chave
da informática.
Manoel — Na nossa empresa, identificamos
o problema da mudança cultural e criamos
dois cronogramas, um técnico, de implementação,
e um humano, de mudança cultural, com
workshops, eventos.
Sandra — Na Chesf, não consegui
envolver toda a área de RH e a área
de comunicação na gestão
de mudanças. Eles têm lá uma
série de desafios, as metas deles, e tal.
Então, usando a própria metodologia,
nós ajudamos a área usuária
a identificar os gaps e fazemos um plano de gestão
de mudanças, cuja responsabilidade é da área
usuária.
Manoel — Eu quero só esclarecer:
se eu tivesse chegado com um papel em branco
no RH, provavelmente não tinha saído
nada. Já cheguei com uma coisa semi-elaborada.
Sandra — Eu cheguei com um documento bem
elaborado no RH, mas não teve jeito.
José Orlando — Quanto a nós,
temos de alinhar o nosso negócio ao negócio
da Vale do Rio Doce. Tocamos uma área
de TI separada, o que foi uma decisão
importante para o negócio de manganês,
porque senão nós perderíamos
agilidade. Mas alinhamos os processos: o processo
de segurança, o processo de compras. A
gente ganha muito. Na última compra de
micros, por exemplo, compramos 10 mil micros
e acho que ninguém comprou micro mais
barato que a gente.
IH — Na Tramontina, vocês estão
felizes com o ERP próprio?
Marcos Antônio — Estamos. Acho que
meu maior mérito foi ter simplificado
a informática. Na Tramontina, a informática é meio,
e eu levo isso a sério. Por exemplo, toda
a minha equipe veio da empresa. Se eu preciso
de uma pessoa para o sistema de distribuição,
eu trago um funcionário que trabalhou
no centro de distribuição — que
seja formado em informática, é evidente,
e que goste de informática. Isso vale
para tudo: contabilidade, folha de pagamento.
Hoje a Tramontina tem mais de 20 empresas, e
a gente desenvolve sistemas considerando as indústrias,
o centro de distribuição, as lojas
de varejo, a holding. Programamos os sistemas
de tudo isso. E hoje temos nossos sistemas em
três empresas da Tramontina no exterior — no
Chile, na Colômbia, no México. São
mais de 40 sistemas, 4 mil programas, dois idiomas.
E tenho só nove programadores, dois gerentes
de bancos de dados, duas pessoas no suporte e
eu. Em 20 anos na Tramontina, nunca passei de
três meses para entregar um sistema. É claro
que não desenvolvo um ERP em três
meses, mas vou fatiá-lo em etapas de três
meses. E digo para o usuário que vamos
precisar de seis meses ou mais, assim entrego
sempre adiantado. Só faço isso
porque a equipe é muito boa e porque tenho
total apoio da diretoria. E eu não economizo
nos treinamentos. Se quero trabalhar com RFID,
com VoIP, qual é a melhor empresa? Vou
levar a melhor empresa para a Tramontina, vou
mandar meu pessoal para treinamento na Alemanha,
na Itália.
Num projeto novo, eu passo 30% do tempo com o
usuário, passo 15 dias com ele, seja onde
for. Vamos sentar juntos, vamos desenhar o processo;
eu vou para o hotel, rabisco, volto no dia seguinte,
faço isso uma semana, 15 dias. Saio dessas
reuniões com a certeza de que sei o que
o meu usuário quer. Programar é a
parte mais fácil. E nunca coloco só uma
pessoa trabalhando num sistema: dificilmente
coloco menos de três. Com três ou
quatro pessoas, em 30 dias a gente produz muito.
Se eu demorar um ano para desenvolver um sistema,
meu usuário vai me dizer que a realidade
mudou.
IH — Você não
desenvolve coisas demais internamente?
Marcos Antônio — Eu acho que não.
Desenvolvo muito menos coisas do que seu eu comprasse,
porque faço sob medida. Faço parte
de um grupo de CIOs do Rio Grande do Sul, e eles
me chamam de doido. Eu de forma alguma condeno
quem compra. Mas a integração de
sistemas comprados com os nossos sistemas não
dá certo. Como há muitos anos nós
desenvolvemos, no sistema de força de
vendas eu tenho o cadastro de clientes, de produtos,
de representantes. O vendedor usa o que quiser:
notebook, Internet, Palm. Ele vai digitar o CNPJ
do cliente ou uma parte do nome. Vai digitar
uma parte do nome do produto. Temos muito pouco
o que fazer para lançar um serviço
novo. Se eu compro um sistema, e tenho um problema
no cadastro de clientes, quem vai escrever a
interface, eu ou o fornecedor? Eu não
quero que ele acesse meus bancos de dados. Aí,
vou ter de preparar um documento para informá-lo.
E quem vai atualizar isso? Esse trabalho todo é maior
que desenvolver o sistema nós mesmos.
Marco Aurélio — Isso tudo é um
dilema hoje, porque o meu desenvolvimento também é interno.
A gente sonha com um ERP que sirva para nossa
empresa, mas os ERPs são generalistas.
Os fabricantes querem desenvolver para todo mundo,
então eles fazem uma estrutura generalista,
até na conexão com o banco de dados.
Aí, o sistema não dá desempenho.
Quando fazemos internamente, fazemos tudo para
o maior desempenho possível. Temos uma
estrutura just in time, temos de entregar os
produtos para o cliente em 24 horas custe o que
custar, então precisamos de estruturas
de informática rapidíssimas.
IH — Como é a experiência
de gerenciar a informática num supermercado
do Nordeste?
Marcelo — Quando entrei na empresa, há um
ano, o presidente me disse que o departamento
de TI estava divorciado da empresa. Na época,
nós usávamos um ERP, só que
optaram por modificá-lo para deixar a
cara do Nordestão, o que foi um tiro no
pé. Acabamos saindo do foco, que é supermercado,
e a área de TI do Nordestão virou
uma área de desenvolvimento de sistemas
muito grande para o tamanho do nosso negócio.
Então fomos ao mercado e compramos um
ERP mais aderente ao nosso negócio, que é supermercado.
O segundo desafio foi: como a TI estava distante
de todos, cada departamento se achava o dono
da informação. A nota fiscal chegava,
e o depósito dava entrada, a controladoria
dava entrada, o fiscal dava entrada, a contabilidade
dava entrada. Faziam quatro vezes o mesmo trabalho,
porque cada um queria ser o dono da informação.
Com o novo ERP, teve setor que perdeu poder,
foi esvaziando. Criamos um comitê, colocamos
os gerentes e usuários-chave de cada departamento,
tentamos convencer o pessoal da necessidade de
mudar os processos. Estamos na metade do processo,
terminamos em novembro, espero que com êxito.
IH — Em que estágio vocês
estão, divórcio ou reconciliação?
Marcelo — Estamos noivando de novo. Deixamos
de desenvolver, pegamos a equipe de TI para dar
apoio ao negócio de supermercado. O casamento é mais
para a frente ainda, para novembro.
William — Nessa área de TI, a gente
passa por isso todos os dias. Talvez os problemas
da Unicafé se assemelhem mais aos problemas
da Sandra, apesar de ser uma empresa privada. É uma
empresa familiar, e as questões políticas
são muito fortes. Tínhamos vários
problemas, a gente está passando pela
fase final da implementação de
um ERP. Estamos terminando a implementação
de MetaFrame [thin client] e a consolidação
de todos os nossos servidores em um datacenter.
Tivemos problemas com os usuários-chave,
que, politicamente, não foram definidos
corretamente, e precisamos defini-los de novo.
Não tivemos o apoio de alguns departamentos,
como o do RH. Estamos implementando o ERP há um
ano, acredito que estamos bem. Em fevereiro,
a migração deve terminar.
Saímos de um ERP caseiro para um ERP de
terceiros também porque temos poucos profissionais.
Hoje, os programadores viraram analistas de negócios:
eles fazem os requisitos e interagem com os fornecedores.
IH — Você adotou o método
de mapear os processos primeiro e depois aplicar
as soluções?
Marcelo — Isso, isso. Mas estamos numa
fase embrionária da governança
de TI. Precisamos de um patrocinador forte, porque
não adianta fazer mais ou menos. Mas definimos
bem os pilares e as bases. Só falta uma
oportunidade, num almoço de reunião
a gente consegue.
IH — Na Tramontina,
não é arriscado
manter todo o desenvolvimento interno?
Marcos Antônio — Desenvolver
um sistema de recursos humanos, por exemplo,
para 15, 20, 30 empresas, acaba sendo muito barato,
porque eu contabilizo o custo em todas as unidades. É mais
barato que comprar. O risco de perder um funcionário,
seja meu ou seja do fornecedor, é o mesmo,
isso não me preocupa.
|