| Um
dos desafios do CIO é fazer com que o
BI seja muito usado. Quanto mais o funcionário
de fato usa o BI, menor o custo do BI, porque
melhor o funcionário trabalha. Se ele é da
operação, a operação
fica mais eficiente e barata. Se é de
vendas, a empresa vende mais.
A mesa-redonda foi coordenada por Wilson Moherdaui,
diretor editorial do Informática Hoje, e
por Márcio Simões, diretor de redação.
Participaram: Alexandre Santos, gerente de TI da
Unimed Rio de Janeiro; Carlos Pulici, então
diretor de TI da DM Indústria Farmacêutica;
Fernando Leibel, gerente de business intelligence
da Amil; Fernando Duarte, gerente de TI do Hospital
São Luís; Heitor Hendges, gerente
de TI da Hertz Medicamentos; Luís Gonzaga,
diretor de TI do Hiléa; Maurício
Amorim, gerente de TI da Farmasa; Maurício
Rosa, gerente de TI da Unimed Campinas; Pedro Balista,
gerente de TI da Medley Indústria Farmacêutica;
Regina Pistelli, então CIO da Medial Saúde;
e Teresa Sacchetta, diretora corporativa de TI
do Fleury Medicina Diagnóstica. (*)
* Esta mesa-redonda
ocorreu no dia 4 de setembro de 2007. Desde então,
a vida profissional de duas pessoas mudou: Carlos
Pulici agora é o CIO da Simpress (especializada
em serviços de impressão); e Regina
Pistelli saiu da Medial Saúde.
IH — Empresas de saúde
usam BI de forma especial?
Teresa — A empresa precisa se preparar
para responder à competição.
No livro do Sun Tzu, A Arte da Guerra, uma das
lições básicas é: é preciso
conhecer suas próprias forças e
fraquezas, assim como as forças e fraquezas
do concorrente, para ter a chance de vencer.
O desafio é instalar ferramentas que peguem
as informações de fontes diferentes
e que apóiem as decisões da diretoria.
O Fleury é bem automatizado. Mantemos
em torno de 300 sistemas diferentes, com bancos
de dados diferentes — Mumps, SQL, Oracle,
Progress. O desafio é coletar todas essas
informações, integrá-las,
analisá-las e entregar relatórios úteis
para entender a empresa e tomar decisões.
O mais difícil: o próprio usuário
não sabe o que procurar, o que precisa
saber. A área de TI precisa dar um passo
além, e ajudá-lo a entender que
informações o BI deve buscar.
IH — O Fleury já identificou onde
estão as informações necessárias
aos negócios?
Teresa — A gente já mapeou; fizemos
um grande esforço recentemente. Temos
todo o mapeamento das rotinas nos sistemas. Mas
isso não ajuda muito: é o começo
mesmo. Agora: qual a melhor forma de buscar as
informações, e como buscar as informações,
e como manejar as informações?
São novos desafios. Não podemos
sair desenvolvendo um monte de subsistemas.
É fácil conseguir algumas informações,
como o perfil de nossos clientes, ou a freqüência
de determinados exames. Mas isso não é suficiente
para tomar decisões.
Na prática, hoje temos pequenos BIs específicos,
para responder a determinados pedidos; temos
o BI do CRM, o BI das unidades de atendimento,
o BI do hospital, o BI do financeiro.
Amorim — Instalamos o SAP há quatro
meses. Tínhamos um BI antes, e estamos
readaptando esse BI para o SAP. Nós também
mantemos ilhas de BI; na verdade, não
temos um BI, mas precisamos de um BI para juntar
todos os BIzinhos, as ilhas.
Mas usamos esses BIs departamentais para apoiar
o departamento nas decisões estratégicas.
Só não conseguimos ver as informações
de forma corporativa; o usuário não
pensa no corporativo, ele pensa no departamento
dele. A TI precisa estar bem alinhada com os
negócios, para puxar o BI corporativo.
Mas a TI só consegue fechar o ciclo com
a ajuda do pessoal de negócios.
Nós estamos tímidos ainda para
fazer com que os BIs menores fiquem mais sólidos.
Carlos — Há um ano e meio temos
um BI para a área de vendas. Está bem
consolidado, e mapeamos toda a nossa cadeia de
vendas dos últimos oito anos, com informações
sobre sazonalidade e tudo o mais.
Tem duas outras iniciativas. Uma delas é ampliar
o BI de vendas para além da área
de vendas; é sair um pouquinho do nosso
cliente e olhar mais o mercado como um todo.
Estamos chamando essa área de medical
share [ou quota no mercado de saúde].
Nossos clientes são grandes distribuidores,
e para além do distribuidor, perdemos
um pouco da visibilidade.
Mas estamos comprando informações
sobre o mercado; e nossa área de planejamento
começou a fazer uso dessas informações.
Acho que o sucesso do projeto virá daí:
a necessidade surgiu primeiro, e não falamos
de BI em momento nenhum. Sentimos que faltava
conhecer um pouco mais para além do nosso
mundo. Por exemplo: se determinada linha de produtos
passa a vender menos, o problema é nosso
ou é um problema de mercado?
Então, já temos informações
dentro de casa, só não conseguimos
analisá-las a contento. E BI é a
solução para esse nosso problema.
Amorim — Sobre informações
de mercado: na Farmasa, acontece uma competição
interna. A área de vendas tem o seu BI,
e a área de inteligência de mercado
tem o seu BI, mas com informações
compradas no mercado. Às vezes, discutimos
qual informação vale, se a de vendas,
a de inteligência de mercado, a da controladoria.
Heitor — Na indústria, quem puxa
o BI é a área comercial. Em certo
momento, a área comercial percebeu que
precisava de mais informações,
que precisava de mais agilidade, para além
do ERP.
Extraímos algumas informações
do sistema e montamos um beta do sistema de BI;
depois de ver a demonstração, a área
comercial liderou o projeto de BI na empresa.
Depois, outras áreas da Hertz começaram
a usar esse cubo de vendas, e o cubo começa
a crescer.
Agora a área comercial pede a inclusão,
nesse cubo, de informações dos
distribuidores; o BI começa a servir para
uma base de conhecimentos dentro da empresa.
IH — Como
justificar os investimentos num BI?
Balista — Na Medley, trabalhamos agora
com a idéia de que informação
envelhece. A gente ia nas reuniões e alguém
dizia: quer dizer então que lá no
sul isso vende mais? Um mês depois, aquela
informação estava da mesma maneira.
Entramos então numa segunda onda. Percebemos
que informação sozinha não
vira processo; nosso desafio agora é usar
o BI para mexer nos processos da empresa. Uma
pessoa pega a informação nova,
pega dois funcionários, e vai usar a informação
nova para criar processos.
Eu mesmo pergunto, quando me pedem alguma coisa
do BI: vai vender mais remédio? Aí o
sujeito me diz que vai baixar os custos. Eu pergunto
de novo: em quanto? Quantas pessoas você vai
mandar embora? Se o sujeito tiver as respostas,
eu implemento o projeto; se não, não.
O custo de um sistema de BI é alto, e
o retorno é duvidoso: por isso radicalizamos.
O retorno do BI só vem quando implementamos
os processos.
Por exemplo: antes, nosso vendedor ia até a
farmácia, tirava o pedido, ligava para
o distribuidor e pedia para o distribuidor entregar
o pedido da farmácia. Se o distribuidor
perdia a venda, a gente perdia a venda.
Hoje, o vendedor vai com um aparelhinho, transmite
tudo online para o portal da Medley, o distribuidor
acompanha, a farmácia acompanha, e eu
só fico olhando, assistindo a tudo isso.
Jogamos o BI em cima dos dados e começamos
a dizer: você está perdendo venda
nessa farmácia, e nessa farmácia,
e nessa farmácia. Isso porque, como descobrimos,
o distribuidor não consegue distribuir
determinados produtos em determinadas regiões.
Já temos 70% dos nossos processos em cubos
dentro do BI. Precisamos usar o BI para tomar
decisões, para vender mais remédios.
IH — E qual a importância do BI
nas operadoras de planos de saúde?
Regina — Não dá para imaginar
a Medial, ou qualquer empresa de saúde,
sem BI no operacional, no tático e no
estratégico. Nós usamos mais no
operacional e no tático, e menos no estratégico,
como eu acho que deveríamos usar. Na Medial,
uma área cuida do BI, uma área
reduzida, com ambiente à parte, como se
fosse outra empresa dentro da Medial. Mas o acesso
ao BI é democrático; vários
cubos podem ser vistos por todos os funcionários.
Cada área tem uma visão distinta
dos dados; quando a área comercial olha
os dados de sinistro, ela quer olhar o sinistro
do ponto de vista do faturamento, do valor. Mas
a área médica quer outra visão,
e a área atuarial quer outra ainda. Todas
as visões estão certas.
Nosso próximo passo é montar um
centro de competência, com representantes
de várias áreas, para discutir
como olhar para a empresa toda.
Usamos o BI para avaliar a saúde dos beneficiários,
a saúde dos nossos contratos, as ações
que precisamos realizar. Usamos o BI para realizar
ações de medicina preventiva, com
cubos por faixa etária, sexo, CID [código
internacional de doenças], procedimento.
Com o envelhecimento da população,
precisamos melhorar a vida do nosso cliente final.
Senão, o nosso sinistro aumenta.
Eu tenho nove cubos grandes, entre eles sinistro,
beneficiário e custo agregado. A área
comercial e a área de inteligência
de mercado usam intensamente. A área de
credenciamento usa BI intensamente.
Como administrar dez hospitais e 60 centros médicos?
Só com os cubos; precisamos de ferramentas
que consolidem os dados e nos ajudem a enxergar
o que está acontecendo. Se aumenta o número
de consultas ginecológicas no pronto-atendimento
do hospital na zona leste, essa informação
me ajuda a criar um centro médico voltado
para a mulher, com palestras, orientação,
médicos especializados. Assim eu trato
melhor a mulher e reduzo os meus custos.
Balista — Estamos treinando os gestores
na Fundação João Cabral,
estamos dando aulas de matemática financeira
até para vice-presidentes, para alinhar
as informações. O que é faturamento?
Faturamento é faturamento — não
vem com esse papo de que faturamento é sem
desconto, com desconto, preço cheio, preço
de fábrica.
IH — Se um dia o cliente puder trocar
de plano de saúde facilmente, como quer
o governo, o que deve acontecer?
Fernando — O orçamento da empresa
vai diminuir. Aliás, essa idéia é absurda.
Imagine o cliente de uma operadora, ele paga
R$ 40,00 por mês enquanto é sadio,
aí descobre uma patologia oncológica
[um câncer] e muda para uma operadora de
R$ 300,00 por mês, mas com direito ao Hospital
Albert Einstein, com tudo o que a medicina oferece.
As operadoras são diferentes; a que vende
um plano de saúde de R$ 40,00 oferece
hospitais compatíveis com o que ela arrecada
por mês. E, quando a gente vende seguro, é o
seguro de alguém que teoricamente não
tem uma doença, mas tem o risco de ter
essa doença.
Na Amil, é a área de BI que prepara
os preços; eu sou o responsável
por esse BI. Quando precificamos, precificamos
o risco, e não a certeza.
Uma vez, uma empresa entrou em contato conosco
e nos disse que precisava incluir uma pessoa
baleada; essa pessoa tinha recebido um tiro.
Só com essa informação,
posso dizer que o plano pode custar entre R$
80 mil e R$ 800 mil ao todo. Esse é o
preço da certeza.
Mas qual é o risco de que alguém
leve um tiro? Provavelmente, menos que 1 centavo.
IH — E como é usar o BI para fazer
os preços da Amil?
Fernando — O BI começou na Amil
em 2003, na área de TI. Optamos por desenvolvimento
interno, pois o nosso banco de dados já tinha
as funções de análise multidimensional
dos dados. Hoje, nosso BI contempla todas as áreas
da empresa.
Temos um sistema de dupla auditoria, ou seja,
uma empresa externa audita os dados que colocamos
no data warehouse [o banco de dados principal
da empresa].
Já começamos a usar data mining
[o cruzamento dos dados, usados cálculos
de análise estatística], e temos
cinco anos de dados no data warehouse. Então,
com base no que está liberando hoje, o
diretor médico entra no portal e usa as
ferramentas de BI para prever os custos dos próximos
dois meses.
E a equipe de BI, eu particularmente, faz parte
da equipe que compra empresas para a Amil. A área
de BI estuda todos os preços. Nós
não avaliamos o negócio, mas avaliamos
a carteira de clientes e a qualidade dos dados.
O gerente tem qualquer informação
de que precise: se ele quiser saber quantas pessoas
moram na zona leste e gastam glicose no laboratório
X, ele acha a resposta em segundos. O BI impacta
todos os negócios. O BI dá o preço.
Numa empresa de seguros, não existe nada
mais arriscado que estabelecer o preço.
Acredito que, no nosso mercado, levamos em conta
o maior número de variáveis quando
emitimos uma cotação; junto com
a cotação, vai até o risco
por patologia da população em questão.
Alexandre — Estou nesse mercado de saúde
há 14 anos. Análise de riscos,
precificação, underwriting [análise
de crédito], tudo isso sempre existiu,
mas não era chamado de business intelligence.
Acho interessante essa migração
de funções elementares da operação
para a nomenclatura do business intelligence.
Mas as operadoras de saúde estão
um passo atrás da indústria farmacêutica;
as operadoras não têm processos
tão maduros, nem a experiência com
o ERP 1, depois com o ERP 2, etc.
Nas operadoras de saúde, não existe
essa cultura das boas práticas, que já vêm
embutidas no ERP.
Regina — Foi tudo criado em casa, em cada
empresa é diferente.
Alexandre — E se a gente vem de um mercado
mais imaturo, com processos mais imaturos, como
eu consigo aqui e agora informações
consistentes, válidas, universais, iguais
na empresa inteira? Na Unimed-Rio, montamos um
centro de competência sobre BI. E, no nosso
caso, nós empurramos a iniciativa; não
foi o comercial que puxou.
E nossa planilha de custos de BI é inversa.
Quanto mais o funcionário usa, maior o
meu custo. Mas quanto mais o funcionário
usa, maior a sua produção e maior
a sua venda.
Queremos avançar agora para os níveis
mais estratégicos, usar dashboards [painéis
com indicadores].
Teresa — Para mim, o nó maior são
os sistemas construídos ao longo dos anos.
O Fleury tem 81 anos. Estamos no ERP 3, instalamos
agora o módulo de CRM, acabamos de instalar
o orçamento, começamos a instalar
o RH, tudo da SAP. Estamos instalando o ERP num
monte de lugares, mas, no cenário completo
da empresa, é pouco. Não existe
um ERP para o resto todo — a área
técnica, o atendimento, o call center —,
que é a essência da empresa. Então,
como a gente faz para pôr um BI nesse resto
todo?
IH — Como vocês
escolhem um fornecedor entre os outros?
Maurício — Começamos a falar
em BI no final de 2004. O primeiro passo foi
selecionar fornecedor: em oito meses, avaliamos
20 empresas. Das 20, 14 foram para a segunda
fase e, das 14, seis foram para a prova de conceito,
com oito horas de duração, nas
quais o fornecedor precisava responder 50 questões
enviadas previamente, e responder na hora dez
questões-surpresa. Depois disso, escolhemos
uma ferramenta e uma consultoria.
Durante esse processo, trabalhamos nas inconsistências
nos nossos bancos de dados; descobrimos que tínhamos
mais inconsistências do que clientes. Tínhamos
filhos mais velhos do que pais, e isso para o
nosso negócio é crítico,
porque faturamos com base na data de nascimento.
Se a gente não fizesse isso enquanto selecionava
o fornecedor, ia carregar dados errados no BI,
e tomar as decisões erradas. E, paralelo
a isso tudo, passamos seis meses discutindo os
conceitos, os nomes, os números. Em novembro
de 2005, começamos o projeto de BI.
Alguns usuários resistiram: os que sabiam
acessar o banco de dados com Excel ou com Access,
e que faziam relatórios maravilhosos,
e que apresentavam isso como BI. A diretoria
e o conselho ajudaram, porque não aceitavam
mais tomar decisão nenhuma se as informações
não tivessem vindo do BI. Ainda toleramos
as planilhas Excel, desde que elas sejam encaradas
como informação não-oficial.
Por isso tudo, criamos formalmente um comitê gestor
do sistema de BI. Esse comitê se reúne
regularmente, e define o que vai para o BI corporativo,
quem tem acesso, quem não tem.
Antes disso, tinha muito feeling [intuição]
na empresa. Uma pessoa vinha e falava: vai acontecer
isso, isso e isso. Falava com tal convicção
que a gente tomava decisão em cima daquilo.
Isso acabou. O feeling continua importante, mas
a pessoa agora sabe que o feeling dela diz uma
coisa, os números dizem outra. Às
vezes, ela está certa, mas às vezes
não.
Tem uma coisa interessante: de tempos em tempos,
fazemos pesquisa para saber como estão
os produtos e serviços da TI. O BI dá 100%
de aprovação.
Hoje, quando a Unimed Campinas vende para uma
empresa, ela vende o BI junto: a empresa acompanha
os números usando o nosso BI.
Alexandre — Num contrato corporativo, usamos
as ferramentas de informações para
conhecer cada pessoa, cada comportamento, para
chegar ao ponto de ajudar a empresa a mudar os
hábitos de seus funcionários: a
mudar a nutrição, as atividades
físicas, a bebida. Posso até acompanhar
alguns indivíduos, saber se estão
tomando o remédio de manhã, se
estão tomando a insulina. Isso pode parecer
um custo extra, porque teremos de ligar para
ele, acompanhá-lo, para que ele tenha
saúde e não use o seguro nunca.
Fernando — No nosso negócio, a gente
não pode pôr a plaquinha de Volte
Sempre. Na Amil, se um cliente foi no Fleury
e repete um exame de hemoglobina glicosada mais
de X vezes, eu boto um asterisco no cadastro — eu
acho que ele é diabético. E nem
temos acesso aos resultados do exame.
IH — Como
usar um BI numa empresa um pouco hospital,
um pouco hotel?
Luís — Eu preciso dessa oportunidade
de explicar o que é o Hiléa: é um
sistema para cuidar do idoso, é um prédio
com todos os sistemas, com tecnologia embarcada, é um
centro de vivência. Temos um sistema para
o rastreamento do idoso, temos uma praça
para o pessoal com o mal de Alzheimer. No caso
dos dementes, temos uma pulseira RFID para rastrear
o idoso.
O Hiléa é um projeto de 1999, o
plano de negócios prevê 20 unidades;
um dos elementos do Hiléa são os
cuidados médicos. Mas o idoso sadio pode
se acomodar, como se fosse um hotel, porque ele
terá toda uma estrutura montada para o
pessoal da terceira idade, com pessoas treinadas.
Já começamos o nosso empreendimento
com as melhores práticas. Vamos começar
com indicadores de desempenho baseados na metodologia
do balanced scorecard [painel com indicadores
variados de desempenho]. Essa primeira unidade,
em São Paulo, já terá 121
leitos. Até o sistema de automação
predial está integrado; temos salas de
monitoração com câmeras.
Ainda não temos um sistema de gestão
integrado; estamos trabalhando por enquanto com
as planilhas eletrônicas.
Mas todo o sistema já é convergente;
temos cobertura Wi-Fi no prédio inteiro,
temos leitoras de RFID nos pontos importantes
de checagem, como o quarto. Temos uma única
rede de voz, dados, imagens, sistemas de radiografias,
todos armazenados em bancos de dados, com indexação.
Se um idoso rompe uma barreira virtual, uma cerca
eletrônica, acende um alarme na central
de monitoração, e um cuidador vai
lá tomar conta dele.
Estamos tratando o nosso business intelligence,
na realidade, como uma disciplina: não
importa se está implementado em Excel,
ou Access, ou o que for.
Maurício — É interessante
essa iniciativa. Uma das coisas que monitoramos
são as internações sociais:
a família quer viajar, ou dar uma esticada
no fim de semana, e pega o avozinho e interna
no hospital, para buscar quando voltar.
Teresa — Eles não dão o remédio
para a diabetes, aumenta a glicemia... interna.
Duarte — Começamos a usar BI há uns
seis anos, e não foi por causa do hospital,
mas por causa do plano de saúde. Acho
que todo projeto de BI nasce de uma pergunta
sem resposta: onde existe a maior incidência
de determinado problema, qual cirurgia rende
mais, qual cirurgia demora mais? Sem a resposta,
a empresa precisa se organizar para conseguir
as informações.
Nossa primeira iniciativa não deu certo,
porque estava associada ao gestor; quando o gestor
saiu, o projeto afundou, pois o outro gestor
não dava a mesma importância para
aquelas informações.
Há um ano, recomeçamos o projeto
de BI. Chamamos os usuários, os fornecedores.
No mercado de operadoras, as regras não
estão bem organizadas — todo mundo
acha que não ganha o suficiente. Estamos
usando o BI para criar outras maneiras de negociar,
para tornar viável a operação.
Até usamos o BI para estudar a atuação
do cirurgião: por que um deles usa dez
gases num procedimento e o outro usa cinco?
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